sábado, 27 de dezembro de 2008

"Saudade" *


Depois de mais de dez dias sem postar e em período de festas, estou de volta! Pensando em qual seria minha próxima publicação, muitos assuntos passaram pela minha mente. Muitos mesmo. Decidi falar sobre algo que só tem tradução na língua portuguesa e que é um sentimento que todos nós, desde muito cedo, já experimentamos: saudade.

Afinal, o que é aquela coisa que aperta o coração, que nos deixa muitas vezes melancólicos e que só aumenta se não conseguimos diminuir a distância entre nós e nosso objeto? Quais conteúdos internos mobiliza? Por que sentimos isso?

Saudade é um termo utilizado quando queremos expressar que alguém ou alguma coisa nos faz falta. E partindo dessa visão, se sentimos falta de alguma coisa ou de alguém é porque não nos sentimos completos sem isso. Talvez por este motivo a saudade mobilize tanto e nos faça entrar em contato com sentimentos reprimidos, não superados e até mesmo não percebidos conscientemente. Podemos considerá-la como um termômetro que indica nossa relação com o outro.

Mas a saudade não é só direcionada para fora. Muitas pessoas sentem saudade de si mesmas ou de como eram em alguma fase de suas vidas. Saudade de uma época passada nada mais é do que saudade daquilo que se foi e que agora, por algum motivo, não se é mais.

Existem pessoas que vivem pela saudade. São muitas vezes pessoas apegadas demais ao tempo passado, que não conseguem viver no presente e que por isso fogem da realidade através das lembranças. Como num círculo vicioso mantém-se num passado distante ou recente e passam a lamentar por tudo o que perderam, sem se dar conta de que o presente se faz agora. Desenvolvem depressão e tendem a possuir visão pessimista generalizada.

A saudade também pode ser por alguém já falecido. E na maioria dos casos, este tipo de saudade é a que mais demora para cicatrizar. Com a certeza de que a pessoa não retornará, nestes casos, o principal alimento da saudade que é a esperança, simplesmente não existe. Há que se elaborar muito bem o luto e tentar diminuir os sentimentos negativos da saudade pelos positivos, através da rememoração de momentos bons e que trazem bem estar. Eliminar a culpa em relação a própria conduta de vida que se tinha com a pessoa que já partiu também é essencial.

A saudade por um grande amor talvez seja a mais vivenciada e percebida pelas pessoas. É exatamente a falta, a sensação de que a vida não está completa sem aquele ser. Se resguardada de sentimentos como ciúme, possessividade e controle, esta saudade pode ser positiva, pois possibilita que bons sentimentos estejam relacionados ao outro. E quando este outro volta, novas possibilidades de relação se estabelecem, desde que ambos estejam dispostos. Entretanto, se a volta não é possível, é preciso que a perda seja compreendida e que o amor por si mesmo seja a grande chave para a superação.

Como todo sentimento, a saudade deve ser encarada como um momento de entrarmos em contato com nosso interior. É o momento de avaliarmos nossa relação com o mundo, com tempos passados, com o outro e conosco. É através deste movimento que a saudade torna-se benéfica e passa a representar uma porta de entrada para o universo do auto-conhecimento. Por isso, quando a saudade bater, não deixe de abrir esta porta e fazer esta viagem!


Luz e Paz!


* Dedicada a todas as pessoas e coisas que já me fizeram falta e àquelas que ainda me fazem sentir saudade!

domingo, 14 de dezembro de 2008

"Nada é por acaso"


Definitivamente, não acredito em acaso. Qualquer movimento em qualquer fração de segundo tem um sentido em sua existência. A isso chamamos de sincronicidade e não coincidência. Atraímos ou repelimos fatos e pessoas, como numa sintonia fina.

Pensando desta forma fica mais fácil compreender porque passamos por determinada situação em nossas vidas. Conseguimos avaliar aquilo que fizemos ou deixamos de fazer e desta reflexão extraímos lições que nos acompanharão por toda nossa história e que, em algum ponto dela, nos servirão de apoio.

É como se aprendêssemos a cada segundo a viver. Assim como a criança aprende a caminhar, aprendemos a nos comportar de acordo com os acontecimentos de nossas vidas. Nem de longe esta é uma visão estagnada de que nada se transforma. Pelo contrário. Encarando a vida desta forma, conseguimos mudar muitas coisas através do livre-arbítrio. E na minha opinião, nem o livre-arbítrio é por acaso.



"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento." - Deepak Chopra



Luz e Paz!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"Ouvir"


Na minha prática profissional diária, o que mais faço é ouvir. As pessoas precisam da terapia para falar, desabafar, contar suas mazelas. É claro que parte fundamental do atendimento deve-se à intervenção, mas esta, em todos os casos, acaba acontecendo somente algum tempo depois, pois o paciente não consegue escutar. Qualquer tipo de instrução ou tentativa de provocar insights através da palavra é quase uma tarefa impossível. O paciente quer esvaziar-se.

Neste período, cabe ao terapeuta saber a hora de iniciar o estímulo à escuta, o que acontece normalmente depois de algumas sessões.

Saber ouvir não é uma qualidade muito vista nos tempos modernos. Depois de anos de diversos tipos de repressão, as pessoas querem colocar pra fora tudo o que podem e muitas vezes o que não deveriam. Esqueceram-se da máxima: "Falar é prata, calar é ouro". E este calar implica em ouvir.

Amontoados de casos no consultório sobre problemas de comunicação, sobretudo em relacionamentos. O exercício do ouvir torna-se tão penoso em algumas situações que as relações terminam sem um fim verdadeiro, deixando uma sensação de algo inacabado para a vida toda, pois nenhuma das partes teve paciência para ouvir o motivo do outro.

A paciência para ouvir não é nem de longe estimulada. Ao contrário: o que se vê é um estímulo ao não-ouvir. Com o advento da comunicação pelo rádio via celular as pessoas passaram a conversar de forma cindida: uma fala e depois escuta o que a outra tem para falar. Mas não funciona. Existem mais mal entendidos do que solução neste meio de comunicação e enquanto o outro dá a resposta, o ouvinte argumenta mentalmente sem ao menos ter escutado o final do raciocínio do outro. Outra mania, principalmente entre adolescentes: o ipod. Ninguém mais sobrevive sem música ou vídeos em casa, no trabalho, nas ruas. Pessoas com fone de ouvido o tempo inteirinho. É como se usassem uma placa gigante amarela no pescoço: "Não fale comigo. Não quero ouvir!".

Ouvir também pode ser ampliado para escutar a voz interior. Não seria lógico que, por escutar menos os outros, as pessoas escutassem mais a si mesmas? Isso não acontece. Quem não escuta o outro não escuta a si. Pelo menos não da maneira introspectiva. Talvez escute suas vontades, seus egoísmos. Mas isto não acrescenta nada.

Não ouvir está intimamente ligado com um estado de ansiedade generalizado, ansiedade por algo que nunca chega e que nem se sabe ao certo o que é. Por isso o exercício do ouvir deve ser praticado no dia a dia. Ouvir é exercitar a paciência, pois é preciso adaptar-se ao tempo do outro para que a informação seja compreendida verdadeiramente. Ouvir é contemplar o mundo externo e interno, é acrescentar novas perspectivas às coisas.


Luz e Paz!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"Sobre a Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen"



"A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen" é uma das obras mais valiosas já publicadas. Sua leitura é incorporada a cada página por nossa consciência de uma forma tão sutil que parece fazer parte de nossa própria história de vida.


Meditativa, reveladora e simples, assim como a filosofia zen.




A seguir, um dos trechos mais marcantes:


"Dia após dia, eu ia penetrando com maior facilidade
na interpretação e na prática da Doutrina Magna do
tiro com arco e a executava sem esforço, como se o
estivesse praticando durante um sonho. Confirmavam-se,
assim, as palavras do mestre. Contudo, eu não
conseguia me concentrar além do momento do disparo.
Manter a atenção num máximo de tensão não só me
fatigava, ocasionando um relaxamento da própria
tensão, como se desvanecia, perdendo sua energia
potencial até tornar-se insuportável e, em muitas
ocasiões, obrigando-me a dirigir minha atenção,
provocando eu mesmo o disparo.
- Deixe de pensar no disparo!, exclamava o mestre.
- Assim não há como evitar o fracasso!
- Eu não consigo evitar, repliquei. -A tensão é
insuportavelmente dolorosa.
- Isso acontece porque o senhor não está realmente
desprendido de si mesmo. Contudo, é tão simples... Uma
simples folha de bambu pode ensiná-lo. Com o peso da
neve ela vai se inclinando aos poucos, até que de repente
a neve escorrega e cai, sem que a folha tenha se movido.
Como ela, permaneça na maior tensão até que o disparo
caia: quando a tensão está no máximo, o tiro tem que
cair..."




(A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, de EUGEN HERRIGEL, Editora Pensamento)






Espero que possam entrar em contato com a totalidade desta obra e obter insights importantes para a vida!




Luz e Paz!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"Indagações"


Não há ser humano que não se indague sobre a própria vida, sobre os outros, sobre o mundo... E que bom que o faz! Como diria um dos maiores poetas brasileiros, Mário Quintana : "A resposta certa não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas..."

E você? Tem feito a si mesmo as perguntas certas?

Luz e Paz!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

"Memória e Olfato"




Sabe aquele aroma que lembra a infância? Ou aquele que nos remete ao primeiro encontro com nosso grande amor? Pois bem... quando nosso olfato é ativado pelo odor semelhante ao sentido anteriormente, automaticamente fazemos uma viagem ao passado. Mas por que isso acontece?



O olfato é o sentido humano mais relacionado à memória. E isso não é mágica. Completamente ligado ao sistema límbico (incluindo sobretudo o hipocampo e a amígdala cerebral) responsáveis respectivamente pela aprendizagem associativa e emoção, o olfato, quando ativado pela percepção de um estímulo externo, automaticamente associa o aroma a uma experiência passada. Como num processo de condicionamento, toda vez que você sentir, por exemplo, o cheirinho de bolo saindo do forno se lembrará das tardes de infância na casa da vovó. O olfato ativa quase que instantaneamente as lembranças, fazendo com que num simples respirar passemos muitas e muitas vezes por uma experiência que já aconteceu.



Muitas pessoas mantém uma relação íntima com os aromas e quase sempre muito positivas. Há quem não troque de perfume nunca. Há quem estabeleça uma relação completamente sensitiva com algum prato preferido, sobretudo pelo "cheirinho" que ele exala ao ser preparado.



Sabemos que a atração pela outra pessoa também acontece pelo cheiro. De forma menos direta e explícita, as pessoas se apaixonam pelo aroma que o outro exala.



Mas não só de perfumes é feito o olfato. Odores desagradáveis também são associados a eventos desagradáveis. E o que as pesquisas mostram é que, muito mais do que acontece com os bons aromas, um número maior de pessoas associa o cheiro ruim ao mesmo tipo de experiência negativa. A singularidade olfativa, deste modo, está muito mais associada às boas experiências do que às más.


A experiência dos aromas é vivenciada muito mais empiricamente e menos racionalmente. Entretanto, muitas pessoas passaram a utilizar o conhecimento da ligação entre olfato e memória para a otimização da função. Através de condicionamentos através de aromas, a memória pode ser exercitada de maneira surpreendente. Assim, unindo-se o agradável ao útil, as pessoas passam a explorar as funções cerebrais a fim de obter melhores resultados em provas e trabalhos que exigem maior esforço cognitivo e memorização.



A ampliação dos estudos em aromaterapia também agrega pontos favoráveis à saúde. Aromas são cada vez mais utilizados para baixar níveis de ansiedade, estimular o indivíduo à ação num quadro depressivo, controlar ataques de pânico, etc. Tudo isso por estar, como já vimos, o olfato intimamente ligado à região cerebral que controla as emoções.



Assim, munidos deste conhecimento, podemos potencializar nossa relação com os aromas positivos, fazendo com que nossa qualidade de vida seja cada vez maior.



Luz e Paz! E perfume!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"Prejuízo Escolar"


















Nesta época do ano começam a pipocar os problemas dos pais com o desempenho escolar dos filhos. Boletins com notas vermelhas aparecem e a notícia de que a recuperação é uma necessidade ou que o ano está perdido é dada pelos professores.


Até meados dos anos 90, o prejuízo escolar sempre foi mais associado à questão comportamental. Os "maus alunos" - como eram chamados - eram aqueles que tumultuavam as aulas, que não estudavam em casa, que tinham uma conduta pouco produtiva no ambiente escolar. Atualmente, graças ao avanço das neurociências e da psicologia e pedagogia, a visão sobre o desempenho escolar foi ampliada e ganhou novas diretrizes.


Todos já ouviram certamente os termos hiperatividade, défict de atenção, impulsividade. Estes foram os diagnósticos mais dados nos últimos tempos. De fato, a compreensão de que os transtornos psicopatológicos influenciam de forma evidente o desempenho escolar agregaram compreensão e resultados positivos na tentativa de recuperar e dar suporte terapêutico aos alunos. Entretanto, o mau uso de tais conceitos também gerou uma massificação. Muitas vezes, antes mesmo de observar o aluno ou de avaliá-lo de forma mais pormenorizada, muitos profissionais do meio escolar o classificam através de patologias que, na verdade, não definem seu problema.


Um exemplo - que seria cômico se não fosse trágico, por se tratar de uma vida - é o do garoto que em seu primeiro dia de aula - depois de mudar de muitas escolas por não adaptar-se - apresentou-se da seguinte forma aos colegas e à professora: "Olá, eu sou o hiperativo", sem ao menos dizer seu nome. Exemplos como este acontecem de forma crescente no Brasil. Ao rotular-se desta forma uma criança ou um adolescente, se está contribuindo com a exclusão e não com uma solução para o problema.


O diagnóstico parte, muitas vezes, do próprio professor em sala de aula. Devo ressaltar que isto é um equívoco. Os únicos profissionais aptos a diagnosticar transtornos desta ordem são neurologistas e psicólogos. Não há exceção. Tais profissionais irão utilizar diversos procedimentos para que o dignóstico seja fidedigno e que procedimentos possam ser administrados para a remissão ou controle dos sintomas.


Muitas vezes, as questões relacionadas ao mau desempenho escolar estão sim relacionadas a algum fator neuropsicológico. Entretanto, outras vezes, a questão comportamental também pode apresentar-se isoladamente como fator desencadeador.


Quando um aluno passa a ter prejuízo escolar não são as notas somente que passam a decair. Sua auto-estima é abalada, seu desempenho em outras áreas pode ser prejudicado, seus relacionamentos dentro e fora do colégio passam a sentir os reflexos do problema. Desta forma, pais atentos aos seus filhos não precisam de um boletim para identificar o problema. Basta observar como a criança ou o adolescente vem se comportando em sua vida, de forma geral.


Mais do que broncas, castigos ou privações o indivíduo com problemas escolares precisa de suporte. Não só médico e terapêutico, mas principalmente familiar. Ele precisa identificar apoio para que supere a dificuldade. Isso é muito importante. E quando falo de apoio, não quero dizer que a responsabilidade da criança/adolescente seja transferida para os pais. Pelo contrário. Mas sim que aconteça um fortalecimento emocional.


A partir do momento em que os adultos passam a compreender que aquele problema é um problema do filho e que não devem lançar mão de castigos ou de estratégias como mudança para uma "escola fraca" a fim de evitar a reprovação, passam a dar apoio emocional, no sentido de que estão ali para amparar, mas sem interferir na parcela de responsabilidade daquele indivíduo. E quando o problema vai além do comportamento, compreender que as dificuldades serão superadas gradativamente com medicação e psicoterapia - e que ambas intervenções são essenciais- ajudará na aceitação e continuidade de esforços pela criança/adolescente. Não há nenhum problema que não possa ser solucinado. Mas para isso é importante que todos os envolvidos trabalhem pelo mesmo objetivo.


Enfrentar e superar uma dificuldade escolar, muitas vezes, faz com que o indivíduo amadureça e passe a desenvolver autonomia, características essenciais para que se torne um adulto mais feliz e emocionalmente forte. Por isso, se o seu filho está passando por problemas escolares, procure ajuda e não faça tempestade em copo d'água. Ajude-o a enfrentar esta batalha!




Luz e Paz!

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Desiderata"




Uma mensagem de otimismo e sabedoria!






"Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível, sem humilhar-se viva em harmonia com todos os que o cercam. Fale a sua verdade mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, eles também tem sua própria história. Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem o nosso espírito. Se você se comparar com os outros, você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior a você. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui; e mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino. Viva intensamente o que já pode realizar, mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde, ele é o que de real existe ao longo de todo o tempo. Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não caia na descrença, a virtude existirá sempre. Muita gente luta por altos ideais, em toda parte a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo, principalmente não simule afeição nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto ele é tão perene quanto a relva. Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas também seja compreensivo aos impulsos inovadores da juventude, alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado; mas não se desespere com perigos imaginários, muitos temores nascem do cansaço e da solidão. E a despeito de uma disciplina rigorosa seja gentil consigo mesmo. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui; e mesmo que você não possa perceber a terra e o universo, vão cumprindo o seu destino. Portanto esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba e quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações, da fatigante jornada pela vida, mantenha-se em paz com sua própria alma. Acima da falsidade, do desencanto e agruras, o mundo ainda é bonito. Seja prudente. Faça tudo para ser feliz!"




Luz e Paz!

sábado, 6 de dezembro de 2008

"Solidariedade: passe-a adiante!"

Fiquem com este lindo vídeo sobre solidariedade:

http://www.youtube.com/watch?v=n7freKm5bNs

Acessem pelo link. Vale a pena!



Luz e Paz! E solidariedade!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"Costumes"


Costumes são pensamentos ou atos passados de geração para geração. Em algumas famílias, os costumes passam até a ser rituais. Eles vão além da simples perpetuação geracional e carregam em si simbolismos reveladores sobre aquele determinado grupo.

Exercitar um costume ou tê-lo incorporado em seu dia a dia é, muitas vezes, um grande tesouro para as pessoas. É poder ter de volta todo um clima de felicidade vivenciando no passado e que se estende até o presente. O costume levado por este lado é benéfico e motivador. Entretanto, há quem entenda o costume como algo pesado e inútil.

Muitas pessoas chegam ao consultório por não conseguirem se libertar de costumes ou visões familiares. Passam por sofrimento psíquico quando, por exemplo, sentem-se obrigadas a passar datas festivas com a família ou quando são convocadas para um almoço de domingo, sem prévio aviso. O que vemos nestes casos é um sentimento de invasão tão grande que passa a significar um aprisionamento ao invés de uma oportunidade de se estar com quem se ama. Mas por que isso acontece?

Como todo ser humano, passamos pelas fases de desenvolvimento comuns para nos tornarmos adultos. Valores, costumes e rituais nos são passados desde muito novos. Na maioria das vezes, crescemos acreditanto nas coisas exatamente como nossos pais. Entretanto, num determinado momento da vida, no desenvolver de nosso pensar-crítico, temos a oportunidade de refutar ou aceitar tais ensinamentos. É quando nos tornamos indivíduos autênticos, com nossas idéias formadas. Algumas famílias aceitam esta mudança, outras não. Algumas pessoas conseguem mostrar-se indivíduos autônomos, outras não. E é neste momento, no choque de gerações, que o conflito é iniciado.

Existe uma história que eu gosto muito e que fala exatamente sobre a influência dos costumes familiares em nossas vidas. Conta que uma senhora de meia idade preparava um apresuntado para um jantar em família, cortando-o nas duas extremidades para colocá-lo na assadeira e depois no forno. Cortar o apresuntado era difícil e extremamente demorado e por isso, ela nunca gostava de cozinhar aquele prato e o fazia simplesmente porque pelo menos uma vez ao mês sua mãe a vinha visitar e este era seu prato preferido. Vendo aquilo, sem entender muito sobre cozinha, sua filha, que a ajudava, pergunta se ela o cortava para que o sabor ficasse mais apurado. Num momento de reflexão, a senhora lhe diz que não sabia exatamente o porquê o fazia, mas que somente repetia o que sua mãe lhe ensinara há tempos atrás. Não satisfeita, a filha foi perguntar à avó o motivo. Depois de uma longa gargalhada, a avó lhe respondeu que cortava as pontas do apresuntado porque ele não cabia na assadeira. Ou seja: durante anos e anos, a senhora repetia - sem ao menos saber o motivo- algo desnecessário, pois sua assadeira era suficientemente grande para abrigar o apresuntado sem a necessidade de cortá-lo.

Muitas vezes os costumes são assim para algumas pessoas: uma repetição inconsciente e desnecessária de um ritual que não faz mais sentido. Quando isso acontece e passa a perturbar seu equilíbrio interno é importante que ela se dê conta de que é necessária uma re-avaliação das coisas. Entregar-se a uma prática tradicional para agradar aos outros não é a melhor maneira de estabelecer um vínculo verdadeiro e positivo com a família. Se existe sacrifício próprio, nada disso faz sentido.

Sempre é tempo de mudar e de criar novos costumes dentro do círculo familiar e de amizade. Talvez, dando o primeiro passo, você esteja ajudando muitas pessoas que se sentem da mesma forma, oprimidas por algo que não lhes significa nada.

Re-avalie as tradições em sua vida, descarte as desnecessárias e mantenha as que verdadeiramente tocam seu coração!


Luz e Paz!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Poesia em frase"

"Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura." Alberto Caeiro

Ler é poder estar mais próximo das idéias do outro e de si mesmo. A poesia faz isso com a gente: transforma, repagina, enobrece. Não deixe de dedicar alguns minutos do dia à leitura. Será, certamente, uma experiência muito especial!

Luz e Paz!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"As cinco pessoas que você encontra no céu"



Esta é a indicação de um filme que fala sobre várias histórias interligadas. Vale a pena assistir e meditar um pouco sobre como conduzimos nossas vidas e o que vale ou não a pena ser levado adiante.



SINOPSE

Eddie (o ganhador do Oscar John Voight) era um jovem que cresceu em meio a guerras, trabalho árduo e uma educação rígida. No dia em que completa 83 anos, ele sofre um acidente no parque de diversões onde trabalhou a vida inteira. Quando ele dá por si, tudo o que ele sente é que passou uma vida sem propósito, sem rumo... E o que se sucede é uma revisitação de sua vida por 5 pessoas, umas que ele conhece, outras que ele não tinha a menor idéia de quem eram, mas cujas vidas estavam de alguma forma ligadas à dele. Cada uma dessas pessoas revê com Eddie uma passagem de sua vida, resolvendo antigos mistérios, dissolvenso antigas mágoas, revivendo antigos amores.A cada experiência fica mais claro a grande importância de Eddie na vida de milhares de pessoas sem que ele se desse conta, provando que cada vida está ligada a outra de formas que muitas vezes não entendemos.



INFORMAÇÕES TÉCNICAS



  • Título no Brasil: As Cinco Pessoas Que Você Encontra no Céu


  • Título Original: The Five People You Meet in Heaven


  • País de Origem: EUA


  • Gênero: Drama


  • Tempo de Duração: 160 minutos


  • Ano de Lançamento: 2004



Aproveitem!


Luz e Paz! E pipoca! ; )

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

"Vida: querida estalagem"


Fiquem com este magnífico trecho do "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa:


"O coração, se pudesse pensar, pararia. Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."



Não passar pela vida de forma medíocre, não deixar que ela passe por você. Como tem feito isso? Não esqueça jamais de viver. Simplesmente, mas plenamente.

Luz e Paz!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"Preconceito"



Hoje, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, nada melhor do que falar sobre preconceito.

Preconceito é algo inerente ao ser humano. Até a mais humilde e bondosa das almas não pode se eximir desta culpa: possuir preconceito. Entretanto, o exercício de torná-lo cada vez menor deve ser obrigação diária.

Preconceito é diferente de discriminação. Discriminar é exercer o preconceito da maneira mais absoluta: é separar, afastar o outro de si. Assim, segundo nossa legislação, somente é crime o preconceiro na ação, ou seja, manifestado através da discriminação. Ainda bem, pois senão seríamos todos presos.

Assumir os proconceitos que se tem já é bastante importante para controlá-los. Há quem discrimine sem saber que o faz.

Há tempos, nosso Brasil - terra abençoada por Deus e bonita por natureza - exerce de forma massacrante a discriminação. País que já foi escravagista monárquico, carrega até hoje o ranso da segregação. Mas, será que preconceito é algo simplesmente cultural?

Possivelmente não. O preconceito surge de um conflito psíquico. É quando tememos tanto que nossa parcela frágil e diferente apareça que tratamos logo de apontar o que consideramos frágil e diferente no outro. E se encontramos um grupo disposto a unir forças conosco contra um grupo menor, está feito. A discriminação cresce e a falsa aura de proteção contra nossas próprias mazelas está criada.

É interessante como a força do grupo trabalha. O que vemos hoje é que, cada vez mais, os grupos minoritários se unem para exercer o mesmo preconceito e discriminação com o grupo que um dia foi majoritário. Vivemos em guetos urbanizados, em culturas engessadas que separam o que é negro do que é branco, o que é são do que é doente, o que é padronizado como belo do que é feio, o que é velho do que é novo, o que é hetero do que é homo.

Cotas em universidades para negros, vagas para deficientes em concursos, locais para estacionar para idosos: não somos mais humanos. Somos categorias humanas.

Não são todos que têm a oportunidade de conhecer um manicômio. Ali, estão escondidas as mazelas que o mundo finge que não vê: seres humanos que vivem em condições insalubres. Assim como foram escondidas as favelas cariocas nos Jogos Panamericanos. Assim como escondem os milhares de abortos praticados anualmente no país. Assim como escondem as crianças de rua que praticam delitos em utópicas instituições de recuperação. Estão todos tão escondidos! Vítimas de discriminação em massa. E com o comportamento de discriminar e não perceber que se discrimina, a sociedade vai se moldando como pode. E se molda mal.

O que há de mais importante em toda esta reflexão é a idéia de que somos imperfeitos. E quando acontece esta aceitação, o defeito ou característica do outro é o que menos importa. Ele não tem que ser perfeito ou imperfeito para mim. O outro é único, como eu sou único. O preconceito começa a ser atenuado. A discriminação passa a não existir. Acontece a agregação ao invés da desagregação. É a união de forças e não a separação por diferenças.

O que se deve ressaltar são as possibilidades. Se criarmos nossas crianças verdadeiramente dentro desta premissa, o preconceito, então, um dia se extinguirá. Teremos pessoas felizes, multiplicadas por coeficientes ímpares e não mais subtraídas por suas características especiais.
Mas, enquanto isto não acontecer, vão continuar criando datas especiais para nos lembrar que pessoas morrem de Aids, que negros merecem ser homenageados por sua história de luta racial, que mulheres devem ser tratadas com carinho... Que pena. Isso deveria ser natural.


Luz e Paz! E muita consciência!

domingo, 30 de novembro de 2008

"Insatisfação"


Quando uma pessoa torna-se insatisfeita com alguma coisa acaba contaminando muitos ou todos os setores de sua vida. É como se não encontrasse saída para nada ou como se tudo ao seu redor não atendesse às suas expectativas. Veste-se com uma armadura intransponível.

Insatisfação é um sentimento difícil de se trabalhar. Todas as alternativas fornecidas para sanar o problema são compreendidas como absolutamente inaplicáveis. É quando a confusão de sentimentos é tão profunda que o fatalismo toma conta de si.

Um insatisfeito é facilmente identificável. Infelizmente, muitas pessoas os tacham de "mal-amados", "cri-cris", "donos da verdade". E, de fato, a grande maioria provoca este tipo de reação no outro, pois passa a ter comportamentos de controle da vida alheia, torna-se extremamente intolerante com atrasos e regras, passa a acreditar que seu pensamento é o mais adequado para todas as situações.

Antes de classificar o insatisfeito em tantas categorias depreciativas é preciso, acima de tudo, compreendê-lo. O que o torna desta forma? Por que reage assim?

A insatisfação é um estado de descontentamento interno. Por mais que um insatisfeito coloque a culpa no outro (e o fazem com muita frequência), o problema está com ele. É um sentimento extremamente incômodo, pois não conseguem nunca estar bem internamente. Preferem olhar para fora ao invés de olhar para si.

Há que se ressaltar que a insatisfação é um estado que, quando se torna crônico, passa a representar uma "companhia" para o doente. E quando isto acontece, abandonar a patologia fica muito mais difícil. É como se a pessoa precisasse daquilo para sobreviver.

É por isso que a insatisfação passa a ser meio de vida. Racionalmente, se pensarmos bem, o que fazemos quando temos um problema ou insatisfação? Resolvemos, oras! O insatisfeito não. Ele mantém o problema. Finge querer sair da situação, mas não o deseja realmente.

É por isso que muitos casamentos são mantidos por décadas de maneira cruel. É por isso que pessoas permanecem no mesmo trabalho por anos e anos e adoecem.

Um insatisfeito nunca permanece calado com sua insatisfação. Ele precisa "passar" para o outro. E assim, numa forma de aprisionamento, mantém uma outra pessoa ao seu lado, utilizando-a de bode expiatório. Tudo isso por necessitar perceber que é vítima das situações e para assim não tomar providências que o retirem da crise.

A maior indicação para a cura a insatisfação crônica é, sem dúvida, a terapia. Entretanto, é muito incomum a presença de "insatisfeitos" no consultório. Pelo menos, declarados. A procura por terapia e acima de tudo, a compreensão do que é terapia exige uma reflexão interna e uma apropriação do próprio problema. Quando uma pessoa com insatisfação crônica chega até mim, o faz de forma camuflada. Em geral, o grande tema é "stress". Aparecem por não conseguir administrar bem as variáveis externas estressoras, culpam todos menos a si, esperam uma fórmula mágica para que o mundo as compreenda melhor. Quando se dão conta de que a questão é interna, muitas vezes desistem, insatisfeitas com o terapeuta. Quando são fortes o suficiente para encarar a jornada interior, saem renovadas e expressam as melhores qualidades para o mundo.

De qualquer forma, o importante é que, quando identificada a insatisfação em si mesmo, aconteça uma reflexão para que se perceba o que, de fato, é culpa do outro e o que é agitação interna. A vida fica melhor assim.


Luz e Paz!

sábado, 29 de novembro de 2008

"A vida é mais forte"


Sempre que se passa por adversidades ou que se está numa situação de difícil compreensão vem a idéia de que as coisas são insuperáveis. Dependendo da estrutura psíquica, algumas pessoas podem até se deprimir por conta disso. Todavia, o que se vê quase sempre é que, após passado o período de crise, as coisas tendem a voltar a ser como eram antes. E é por isso que eu acredito e digo que a vida é sempre mais forte.

Num momento de luto, por exemplo, por mais difícil que a perda seja, chega um momento em que nosso corpo começa a reagir positivamente. É o momento de reestruturar a rotina e de superar o período de forma gradativa e ascendente. Se o indivíduo passa por um processo terapêutico ou se o procura para sanar seus problemas, este processo é ainda mais veloz e verdadeiramente superado.

Esta "opção" pela vida ao invés da "morte" - ou do sofrimento - acontece, uma hora ou outra. É quando a pessoa se dá conta que tudo ao seu redor respira movimento.

Muitas vezes, a adversidade surge como oportunidade de reavaliação pessoal. Muitas histórias são modificadas após grandes provações. Tudo muda. A visão de si e do mundo se transforma.

Algo importante a ser dito é que no período de crise, muitas vezes, a elaboração é muito íntima. Leva algum tempo - variável para cada um - e pode ser dolorosa. E existe, muitas vezes, um agravante: as outras pesssoas ao redor. Quem está por perto nunca reconhece o "timing" do outro e por medo de que as coisas tomem proporções que fujam do controle, acabam exercendo certa pressão. É quando os "páre de sofrer", "você tem que sair dessa", "não desista de sua vida", "não seja fraco" acontecem. Muito mais do que ajuda, eles representam agravantes. As pessoas agem desta forma, muitas vezes, por inabilidade em lidar com situações mobilizadoras. Têm medo, pois entram em contato com a idéia de que também são frágeis e que a vida é transitória.

Se você acompanha de perto o período de crise do outro, o melhor a se fazer é calar. É um calar absolutamente verdadeiro, que não abandona, mas que deixa o outro confortável. É o momento de dizer que respeita a situação e que está por perto, à disposição, caso necessário. Agindo assim o silênio é entendido como suporte incondicional.

As plantas procuram a luz do sol para crescer e este é um exemplo de como os seres vivos funcionam. A vida é mais forte. Sempre.


Luz e Paz!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

"O que você carrega?"


Conta-se uma história interessante de dois monges que, caminhando de uma aldeia para outra, encontraram uma jovem sentada à margem de um rio, a chorar. Um dos monges dirigiu-se a ela, dizendo: "Irmã, por que choras?". E ela respondeu: "Estás vendo aquela casa do outro lado do rio? Eu vim para este lado hoje de manhã e não tive dificuldade em vadear o rio; mas agora ele engrossou e não posso voltar; não há nenhum barco". "Oh! ", disse o monge, "isto não é problema" - e levantou nos braços a jovem e atravessou o rio, deixando-a na outra margem. Em seguida, os dois monges prosseguiram juntos a viagem. Passadas algumas horas, disse o outro monge: "Irmão, nós fizemos o voto de nunca tocar numa mulher. O que fizestes é um horrível pecado. Não sentiste prazer, uma sensação extraordinária, ao tocar uma mulher?"
E o outro monge respondeu:
- "Eu a deixei para trás há duas horas. Mas tu ainda a estás carregando, não é verdade?"




Esta história zen fala, entre outras coisas, sobre bagagens que carregamos desnecessariamente.

E você? O que carrega dentro de si que poderia ter sido deixado para trás há muito tempo?

E seus medos? Tentando evitá-los, será que você não os cultiva diariamente?

Para deixar a bagagem para trás é preciso coragem. Elimine-a aos poucos, peça por peça e sua vida ficará mais leve!


Luz e Paz!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

"Paciência"


Falar de paciência em tempos de impaciência absoluta não é fácil...

Meditando sobre qual tema escreveria hoje no Blog fui interrompida por uma criança que na rua esperneava exigindo que sua mãe pegasse algo que ela tinha deixado cair no chão naquele instante. Os tempos modernos são assim: os impacientes comandam o mundo e os pacientes - pouquíssimos diga-se de passagem - obedecem.

Infelizmente esta atitude de extrema impaciência não é observada somente entre as crianças. Ela é quase uma doença transmitida pelo ar. Entretanto, o que não se percebe é que ela pode trazer consequências graves para o psiquismo e para o corpo.

Na era da fast food e dos computadores Core Due (com duplo processador!) ninguém mais quer saber de esperar. Nas ruas, antes mesmo do semáforo abrir, um apressado sempre buzina alertando o carro da frente. Nos supermercados, coitado daquele que "bobear" no caixa, demorando um pouco mais para retirar os produtos do carrinho. Quem fala pausadamente então, passa a sofrer de mutismo, pois nunca consegue expressar sua opinião, atropelado por outros mais velozes. Velozes e furiosos.

Podemos pensar que a impaciência está completamente ligada ao estado interno de cada um. As pessoas pacientes são - na maioria das vezes - mais internalizadas, conscientes de seu funcionamento e por isso mais condescendentes com o mundo externo. As impacientes sofrem de uma intolerância completa externalizada como agressão ao mundo. O externo existe para atendê-las imediatamente, custe o que custar.

Na Inglaterra e em boa parte da Europa, o Slow Food surgiu como uma contra-corrente da impaciência geral. Slow Food ou literalmente "Comida Lenta" é um movimento que prega a tranquilidade nas refeições, com apreciação dos sabores e consistências dos alimentos. O prato é apreciado durante muito tempo a fim de que o ritmo acelerado da metrópole seja anulado, gerando imenso bem-estar. Com uma grande adesão de seguidores, a corrente passou a ser vivenciada em outros setores da vida, incluindo a contemplação do mundo exterior e consequentemente estimulando a paciência de seus seguidores. Comprovadamente, os níveis de stress diminuiram drasticamente e as pessoas passaram a conviver melhor entre si.

Ao deparar-se com um ataque de raiva, intolerância ou impaciência perceba, antes de agir de forma irracional, quais os verdadeiros motivos que o mobilizaram àquele estado. É na auto-percepção e no controle dos próprios instintos que conseguimos superar nossas dificuldades.


Luz e Paz! E Paciência!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

"Terapia de Casal"


Antes de me graduar e saber um pouco mais sobre o que é Psicologia, não acreditava em Terapia de Casal. Pensava que era uma atitude extrema de duas pessoas que já haviam tentado de tudo e que apelavam para qualquer coisa que as pudesse salvar do inevitável fim da relação. Talvez você também pense assim. Ledo engano.

Na teoria e, depois de algum tempo, na prática de estágio atendendo casais compreendi que a Psicoterapia voltada ao casamento era tão especial e importante que deveria ser uma medida profilática muito mais do que remediativa. Ela deveria ser presenteável e constar como item nas listas de casamento dos noivos.

Nela, trabalhamos sentimentos, mas não somente isso. Trabalhamos a forma de aprender a conversar com o outro, a maneira de expressar as próprias idéias sem ferir, a necessidade de largar mão do "cabo de guerra" e partir para o "mãos dadas".

Partindo da ídéia de que cada ser humano é singular, a união entre dois seres humanos ímpares não deveria ser vista como algo tão fácil como se prega a quatro ventos. Mesmo sendo muito parecidos, cada um, dentro da vida a dois, tem suas manias, vontades e pensamentos. Esta percepção é primordial para que um casamento dê certo: ninguém é igual a ninguém e por isso mesmo a convivência diária deve ser uma prática de tolerância, respeito e muito amor.

Na grande maioria dos casos o casal briga por não conseguir mais ceder. Um lado sempre apresenta-se como vítima e o outro como vilão. A primeira coisa que tratamos na psicoterapia é que ninguém é bom ou mau e que os dois estão no mesmo barco e devem cooperar para remar para um lugar melhor.

Muitas vezes a terapia de casal termina em separação. E isso é muito importante de ser dito. As pessoas apostam na terapia, muitas vezes, de maneira tendenciosa, acreditando que o terapeuta irá "tomar as dores" de um dos lados, obrigando o outro a agir como o cônjuge julga ser melhor. Isso, definitivamente, não acontece. E quando, por trás do que chamamos de sintoma ou causa, aparece toda a história daquelas duas vidas, ambos conseguem perceber o motivo de estarem naquela sala, com uma pessoa estranha, discutindo suas vidas. E neste momento, podem optar pela reestruturação ou não.

Normalmente, quando o casal se separa, a ajuda terapêutica é primordial. Acabam se separando de forma menos dolorosa e mais amigável. Compreendem a causa da crise, mas não acreditam mais naquilo que um dia acreditaram e por isso partem para o outra.

Eu acredito que quando existe amor - e aqui eu incluo amor próprio - tudo pode ser renovado, porque este amor faz com que o casal entenda que pode mudar o rumo que o casamento levou. Mas se os motivos são unicamente externos como filhos, casa, dinheiro, as coisas se complicam mais. Nenhum casamento é mantido por muito tempo por esses motivos.

O mais importante é perceber que a terapia de casal não deve ser compreendida como derrota, nem tão pouco como a última tentativa. Deve ser encarada como uma possibilidade terapêutica de evidenciar as próprias dores e medos, sonhos e esperanças para aquele alguém que um dia foi sua grande razão de existir e que hoje, por um motivo ou outro, já não consegue entender o que você fala porque você também já não entende o que ele fala.

Terapia de casal é diálogo. E quando se conversa de forma clara e com o coração limpo, tudo se encaixa. Pense em sua relação e em como é importante mantê-la livre de qualquer equívoco ou confusão.Terapia de casal é cuidado: com o outro e consigo mesmo. Como diria Herbert Viana: "Cuide bem do seu amor, seja quem for.".


Luz e Paz!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"Renovação"


Final de ano sempre dá aquela sensação de que as coisas estão acabando. As pessoas passam a diminuir o ritmo das coisas, enfeitam a casa com decoração de Natal, compram presentes, brincam de amigo secreto. É quase como um ritual de passagem. Percebem o ano seguinte que está por vir como uma grande possibilidade de mudança, como um salvador de todas as coisas desagradáveis que aconteceram e que poderão deixar de existir na nova fase. Mas, será que isso acontece?

O que se vê é uma grande vontade de vencer os problemas logo no primeiro mês. Os planos são colocados em ação, as metas revistas, as promessas criadas. Mas, quando janeiro passa e constata-se que a mudança não aconteceu - e quase nunca acontece - a frustração toma conta de tudo e a esperança arrasta-se morta por mais onze meses adiante. Por que?

A resposta é muito fácil e todos nós sabemos qual é. Só não sabemos como mudar. Se pensarmos em renovação, o que de fato fazemos internamente para que isso aconteça? E qual o motivo de sermos tão intolerantes e exigentes, querendo que tudo se transforme em 30, 60 dias? Os consultórios de psicologia ficam cheios no começo do ano. E terminam quase vazios...

A reforma íntima não acontece. O que acontece é uma reforma superficial. Olhamos para fora e arbitramos o que devemos ou não fazer, sem ao menos mergulharmos um pouquinho em nós mesmos, sem ao menos avaliarmos se tudo aquilo que queremos é realmente o que precisamos.

É muito difícil responsabilizar-se pela própria vida. Eu vejo isso todos os dias. A culpa é sempre da mãe, do vizinho, do irmão, do chefe, do Governo, da crise... E pensando assim, as resoluções de começo de ano carregam essa visão contaminada. Se eu pudesse classificar este comportamento como patologia, daria o nome de "outrismo". O outro é sempre o foco...

A verdadeira renovação começa de dentro. E não tem data para começar. Ela pode começar exatamente agora.

Não me entendam mal, eu simplesmente amo o Natal. Mas, se ao invés de enfeitarmos com zilhões de lampadazinhas as árvores de casa, do trabalho, do jardim e das ruas, ocupássemos o tempo olhando mais para nossos sentimentos, não teríamos um Natal mais brilhante?

Seja você mesmo o seu "Santa Claus" (o bom velhinho!): dê-se de presente momentos de introspecção e meditação sobre o que é, de fato, importante para você. Dessa forma, tenha a certeza de que seu ano novo começará muito antes do momento em que os fogos de artifício do dia 31 colorirem os céus!


Luz e Paz!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"A necessária arte de saber fazer escolhas"









Escolher é em si uma ação conflituosa e angustiante. O Homem, em sua natureza, almeja a liberdade e optar entre uma coisa e outra muitas vezes traz a idéia de restrição, de aprisionamento, de imutabilidade.
Entretanto, há que se repensar um pouco o papel e a importância das escolhas em nossas vidas. Ao contrário do que se pensa, uma escolha carrega consigo o movimento, a ação. Ao fazermos uma escolha – seja ela qual for – estamos exercendo nosso poder de livre-arbítrio que nos torna seres-humanos responsáveis e autônomos. Escolher é sair imediatamente da inércia paralisante para o movimento do mundo e a chave para adquirir a arte de saber fazer boas escolhas está em nos aprofundarmos em nós mesmos, através do autoconhecimento. Só assim a escolha é fidedigna.






Luz e Paz!

domingo, 23 de novembro de 2008

"É preciso saber viver"




É preciso saber viver. Mário Quintana traduz esta frase em linda poesia:




"A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...Quando se vê, já é 6ªfeira...Quando se vê, passaram 60 anos...Agora, é tarde demais para ser reprovado...E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,eu nem olhava o relógio. Seguia sempre, sempre em frente ...E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas. "
Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)




Luz e Paz!

sábado, 22 de novembro de 2008

"A vida é transformação"


Fiquem com este post do maravilhoso texto de Rubem Alves:


"Pipoca ou Piruá?"


A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento. As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar..Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca..A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida…). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé… A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira..Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas! E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro..O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser..Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante. Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca..É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” — dizia Goethe. Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á”.A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira… “Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu”. RUBEM ALVES


Eu também já escolhi: eu quero ser sempre pipoca! E você?

Luz e Paz!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

"Qualidade e Quantidade"











É sempre uma preocupação comum o questionamento sobre o que é melhor: qualidade ou quantidade. Se pudermos ficar com as duas, melhor.




Qualidade é o valor abstrato atribuído a qualquer coisa que se faça. Quantidade indica algo mensurável matematicamente.




Este questionamento surge a partir do momento que acrescentamos culpa às nossas ações. Um exemplo é o da mãe que tem que trabalhar e abre mão de dedicar-se integralmente ao cuidado dos filhos, acionando automaticamente o sentimento de culpa e se apegando ao binômio qualidade-quantidade para justificar sua ausência.




O tempo ou a falta de tempo é utilizada comumente para se justificar a busca pela qualidade em detrimento à quantidade. A correria desenfreada do dia a dia, o capitalismo exacerbado, o ritmo acelerado que as pessoas se impõem. Mas, será mesmo que o tempo pode ser uma boa justificativa?




É muito provável que o tempo seja mais uma desculpa. Como diz o velho ditado: "Quem quer arruma tempo". Se pensarmos em prioridades, a quantidade pode ser aliada à qualidade na maioria das vezes. Entretanto, quando não existe a seleção do que é mais ou menos importante e opta-se pelo caminho egóico de realizar tudo o que se quer em pouco tempo, a quantidade acaba sendo, de fato, sacrificada.




Há também que se avaliar o valor qualitativo. Como garantir que de fato acontece? Como saber se a bandeira da "qualidade ao invés da quantidade" de fato cumpre o que promete?




A realidade é que, cada vez mais, queixas em relação a esta discussão aparecem no consultório: culpa por ter que optar entre uma coisa ou outra ou incapacidade de optar.




Se pudesse dar uma receita diria que qualidade e quantidade devem andar juntas. A qualidade só é obtida se houver quantidade o suficiente para que ela aconteça. É simples assim: não há como degustar o delicioso sabor do café coado na hora quando só se utiliza o café instantâneo.




É preciso saber escolher, para então, realizar o que se propõe de forma integral, fiel e sem culpas!




O tempo deve trabalhar a nosso favor e não contra nós. Priorizando o que de fato deve ser feito, ainda restarão alguns minutinhos ao final do dia para meditarmos sobre nossas vidas.








Luz e Paz! E qualidade + quantidade!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

"Palavras e Sensações"


Não é só a partir do diálogo terapêutico que conseguimos avanços no processo da psicoterapia. Muitas vezes, no consultório, lanço mão de outros recursos para promover a aproximação do paciente a si mesmo.

É surpreendente como, de forma sutil e indireta, algumas técnicas surtem efeito significativo na apreensão do próprio estado psíquico pelo indivíduo. Sobretudo, utilizo o precioso legado da corrente gestáltica para ampliar os efeitos de auto-consciência e apropriação.

A poesia e a música também são elementos importantes. A arte, de modo geral, aplicada como aliada terapêutica, igualmente contribui para o avanço do paciente. As sutilezas fornecidas por tais técnicas desafrouxam os nós de tensão, aliviam o stress da racionalidade e abrem espaço para uma percepção sutil de elementos não manifestados de outra forma.

É interessante como o mergulho íntimo que estes procedimentos promovem consegue desanuviar idéias e abrir espaço para a compreensão de assuntos tratados em sessões anteriores unicamente baseadas no diálogo. É como se ocorresse um encaixe entre o cognitivo e o perceptivo, entre racionalidade e insight, entre palavras e sensações.

No início, a resistência em entregar-se nas atividades é comum. O paciente tem medo do ridículo ou até mesmo medo de expor-se de uma maneira desconfortável. Em cem por cento dos casos, numa segunda atividade, isso desaparece por completo e o pedido para que aconteçam outros encontros como aquele é frequente.

É importante dizer que há que se dosar diálogo e técnica, pois um possibilita o avanço do outro e em excesso podem prejudicar o andamento da terapia. Esta tarefa vai do bom senso do profissional, que consegue mensurar através da prática, quando utilizar cada uma delas, sem contaminar-se pela tendência do paciente em somente priorizar a subjetividade das atividades em detrimento do diálogo que estimula o cognitivo.

Muitas correntes ortodoxas simplesmente se recusam a ampliar o campo de atuação do psicólogo e no entanto perdem em resultados, pois não dialogam com outros elementos por medo do ecletismo desenfreado.

O que se propõe aqui nada tem a ver com ecletismo, mas sim com a garantia de bons resultados e promoção da saúde ao paciente de forma séria e comprovadamente eficaz.


O fragmento de poesia a seguir fala de forma perfeita sobre a união de pensamentos e sentimentos, vivenciada dentro do consultório através da utilização de diferentes técnicas:



"...Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos.

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la.

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto,

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz..."

(O GUARDADOR DE REBANHOS - ALBERTO CAEIRO)


Luz e Paz!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"Medicação e Terapia"


Assim como muitos psiquiatras indicam a psicoterapia como complementar no tratamento de diversas patologias, julgo muitas vezes que é de extrema importância o tratamento médico como complemento do processo terapêutico. Aquela velha "picuinha" entre médicos e psicólogos diminui a cada dia, graças a Deus! Cada vez mais os profissionais de saúde enxergam o paciente na totalidade e isso ajuda deveras na promoção da cura e do bem-estar.

Há tempos atrás, era muito comum encontrar psicólogos falando mal do uso da medicação. Há tempos atrás, era muito comum médicos psiquiatras menosprezando o poder reestruturador da psicoterapia. O que mudou foi que cada um saiu de seu status de suprema sabedoria e começou a perceber que, em muitos casos, a combinação "remédio-conversa" era completamente positiva.

A formação em psicofarmacologia e neuropsicologia aumentou, assim como o interesse médico pelas questões terapêuticas expandiu-se consideravelmente. O que antes era cindido, passou a ser complementar.

Hoje, qualquer profissional de psicologia clínica que seja atuante considera imprescindível a avaliação médica em muitas patologias e o uso de medicação, pois compreende com mais facilidade e propriedade que o corpo possui necessidades químicas que nenhuma sessão terapêutica pode fornecer. Da mesma forma, os profissionais da medicina compreendem que a necessidade química é facilmente suprida pelo medicamento, mas que as questões cognitivas e afetivas só podem ser reorganizadas e tratadas no consultório psicológico.

É importante salientar que o casamento entre psicologia e medicina é algo que deve ser anunciado nos consultórios, pois muitas vezes, o receio inicial parte do próprio paciente. É comum que o medo em tornar-se "viciado" na medicação seja relatado para o psicólogo. É também comum que a idéia de que a psicoterapia seja paliativa surja na sessão com o psiquiatra. Este tipo de equívoco só pode ser solucionado a partir da elucidação de dúvidas e promoção,acima de tudo, do ideal de saúde. Desta forma, o paciente ganha em bem-estar e os profissionais em experiências compartilhadas.

É importante lembrar que somos formados por pensamentos e sentimentos, mas também por um corpo físico que faz com que estejamos vivos. Não há como separar. Por isso, a visão holística que a união das ciências propicia é fundamental para compreendermos o homem em sua totalidade.

Luz e Paz!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

"Musicoterapia e Depressão"











Segue um artigo muito interessante, já traduzido, publicado no The New York Times, em meados de 2007:







"A musicoterapia pode reduzir os sintomas da depressão, segundo revisão sistemática publicada pela Biblioteca Cochrane, organização mundial dedicada ao estudo da eficácia de intervenções terapêuticas. Os pesquisadores analisaram cinco estudos que avaliaram o uso da música no tratamento de pessoas deprimidas, dos quais quatro mostraram que o método foi mais eficaz que outras técnicas psicoterápicas que não usam recursos musicais. “Embora a evidência tenha origem em estudos de pequeno porte, ela sugere que essa é uma área que merece mais investigação”, diz a arteterapeuta britânica Anna Maratos, coordenadora da pesquisa. O interesse pela música como recurso terapêutico não é novo, mas tem crescido nos últimos anos devido a inúmeras experiências que mostram a influência benéfica da combinação de ritmos, melodias e harmonias em uma série de transtornos psíquicos. Alguns bons exemplos estão no livro mais recente do neurologista britânico Oliver Sacks, Alucinações musicais, publicado no Brasil pela Companhia das Letras".

*imagem Getty Images







Luz e Paz!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

"Apropriação"


Em todo início de processo terapêutico tem uma coisa essencial que deve acontecer: a apropriação dos próprios problemas pelo paciente. É como se ele olhasse para o emaranhado de coisas confusas em sua vida e pudesse dizer: "Sim. É isso mesmo. Estou com problemas. Quero resolvê-los!". Sem esta tomada de decisão, as coisas caminham muito devagar e prejudicam a recuperação do controle pessoal.

É importante dizer que apropriar-se não significa apegar-se. Não significa acomodar-se, nem tão pouco conviver com os problemas de forma insalubre. Apropriar-se é constatar que aquilo lhe pertence. E a partir do momento em que possuímos nossos problemas aprendemos que eles não podem mais nos possuir. Assumimos o controle sobre tudo aquilo que até então nos controlava de forma desenfreada.

A caminhada até a sala do terapeuta é uma ato de coragem, já falamos disso. E a apropriação, num segundo momento, multiplica este ato por cem. Ao adotar a postura de enfrentamento, o paciente recupera sua auto-estima, constrói estratégias para sair do problema e inicia um diálogo interno que o acompanhará para sempre.

A apropriação acontece em muitos outros setores da vida. Não só com os problemas. Há quem não consiga apropriar-se das coisas boas que acontecem. Por isso é essencial que a auto-consciência e a pré-disposição para a mudança estejam ativadas para que possamos exercer com assertividade as diversas apropriações que nos são exigidas diariamente.


Luz e Paz!

domingo, 16 de novembro de 2008

"Beleza Real"



Domingo... Dia de postar belos pensamentos... Fiquem com este de Audrey Hepburn:





"...Para ter lábios atraentes, diga palavras doces. Para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas. Para ter um corpo esguio, divida a sua comida com os famintos.Para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia. Para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinha. Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas. Jamais jogue alguém fora. Lembre-se que se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço. Ao ficarmos mais velhas, descobrimos porque temos duas mãos: uma para ajudar a nós mesmas, a outra para ajudar o próximo. A beleza de uma mulher não está na roupa que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para o seu coração, lugar onde o amor reside.
A beleza de uma mulher não está na expressão facial, mas a verdadeira beleza da mulher está refletida em sua alma. Está no carinho que ela amorosamente dá, na paixão que ela demonstra.
A beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos...".

A auto-estima supera a imagem. Não sobrevive sem ela, mas não é sua escrava. Auto-estima é aprender a gostar de si um pouquinho mais a cada dia. Exercite esta visão e a beleza inundará sua vida!
Luz e Paz!

sábado, 15 de novembro de 2008

"Fé e Atividade Cerebral"







A fé é interpretada como algo unicamente divino, subjetivo e individual. O que poucos sabem é que este sentimento mobiliza nosso Sistema Nervoso Central de forma extremamente poderosa. Estudos recentes das neurociências comprovam o efeito analgésico da fé. Sim. Aqueles que crêem numa força superior tendem a conseguir superar as mazelas da vida terrena com mais facilidade que as que tomam uma postura de descrença no desconhecido.



Na prática clínica, o que agora foi comprovado cientificamente, é observado há tempos. Todo paciente que possui a crença em algo superior às próprias forças tem um aparelho psíquico muito mais fortalecido que os demais. É uma afirmação ousada, mas verdadeira. Aquele que tem fé consegue transpor obstáculos de forma mais assertiva.



Isso, logicamente, não é uma tendência de espiritualizar qualquer tipo de situação ou de retirar a parcela de participação que o indivíduo tem na cura de sua patologia. Pelo contrário. Na realidade, pessoas com fé tendem a responsabilizar-se mais em relação aos próprios problemas, pois entendem que têm que dar "uma mãozinha" a uma Força Maior para obter resultados positivos. É como se redobrassem esforços para mostrar ao céu que a parte delas foi feita, e muito bem feita.



Pensando na atividade cerebral, a fé atua como um bálsamo. Ela estimula as sinapses positivamente, secreta hormônios de prazer e contribui para o perfeito funcionamento corporal.



Muitos céticos questionam o efeito transformador da fé e é por isso que alguns, num momento crítico da vida, adotam a postura pessimista diante de um caminho que parece não ter saída. Com um posicionamento de derrota, perdem a oportunidade de descobrir o otimismo que a fé proporciona e seus efeitos evidentemente benéficos.



Por isso, fé na vida, em algo superior e em si mesmo são exercícios que não devem ser esquecidos na rotina de cada um de nós!






Luz e Paz! E muita fé!