
Não é só a partir do diálogo terapêutico que conseguimos avanços no processo da psicoterapia. Muitas vezes, no consultório, lanço mão de outros recursos para promover a aproximação do paciente a si mesmo.
É surpreendente como, de forma sutil e indireta, algumas técnicas surtem efeito significativo na apreensão do próprio estado psíquico pelo indivíduo. Sobretudo, utilizo o precioso legado da corrente gestáltica para ampliar os efeitos de auto-consciência e apropriação.
A poesia e a música também são elementos importantes. A arte, de modo geral, aplicada como aliada terapêutica, igualmente contribui para o avanço do paciente. As sutilezas fornecidas por tais técnicas desafrouxam os nós de tensão, aliviam o stress da racionalidade e abrem espaço para uma percepção sutil de elementos não manifestados de outra forma.
É interessante como o mergulho íntimo que estes procedimentos promovem consegue desanuviar idéias e abrir espaço para a compreensão de assuntos tratados em sessões anteriores unicamente baseadas no diálogo. É como se ocorresse um encaixe entre o cognitivo e o perceptivo, entre racionalidade e insight, entre palavras e sensações.
No início, a resistência em entregar-se nas atividades é comum. O paciente tem medo do ridículo ou até mesmo medo de expor-se de uma maneira desconfortável. Em cem por cento dos casos, numa segunda atividade, isso desaparece por completo e o pedido para que aconteçam outros encontros como aquele é frequente.
É importante dizer que há que se dosar diálogo e técnica, pois um possibilita o avanço do outro e em excesso podem prejudicar o andamento da terapia. Esta tarefa vai do bom senso do profissional, que consegue mensurar através da prática, quando utilizar cada uma delas, sem contaminar-se pela tendência do paciente em somente priorizar a subjetividade das atividades em detrimento do diálogo que estimula o cognitivo.
Muitas correntes ortodoxas simplesmente se recusam a ampliar o campo de atuação do psicólogo e no entanto perdem em resultados, pois não dialogam com outros elementos por medo do ecletismo desenfreado.
O que se propõe aqui nada tem a ver com ecletismo, mas sim com a garantia de bons resultados e promoção da saúde ao paciente de forma séria e comprovadamente eficaz.
O fragmento de poesia a seguir fala de forma perfeita sobre a união de pensamentos e sentimentos, vivenciada dentro do consultório através da utilização de diferentes técnicas:
"...Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos.
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la.
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz..."
(O GUARDADOR DE REBANHOS - ALBERTO CAEIRO)
Luz e Paz!
DEmais Pedrita... um dos melhores textos postados. Sua narrativa consegue descrever de maneira simples, o desemrolar das técnicas durante a consulta. Muito bom mesmo! Parabéns!
ResponderExcluirBjs
Dé
PÊ,
ResponderExcluirMais uam vez, parabéns pelos textos! A cada dia você consegue demonstrar mais sensibilidade no estudo da alma humana.
Cá.