quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Redução da maioridade penal: um engano.


O debate sobre a redução da maioridade penal foi estimulado pelo aumento de crimes com participação ativa de adolescentes delinqüentes e infratores nas últimas décadas.
De uma forma equivocada, os que defendem a redução da maioridade penal se baseiam em argumentos tais como equivalência de valores legais, como por exemplo, a justificativa de que o direito do voto para adolescentes a partir de 16 anos serve como parâmetro comparativo. Tal argumento é evidentemente descabido, pois trata de duas coisas completamente diferentes: o voto deve ser compreendido como um benefício de estímulo para o exercício e consciência da cidadania – servindo, desta forma, como um elemento educativo e que visa promover o desenvolvimento do adolescente, o compreendendo como um ser em transformação. Já a redução da maioridade penal, de forma coercitiva, parte do pressuposto de que este indivíduo já possui convicções formadas e maduras a respeito de si e do ambiente social. O pune como um ser completo e não o compreende como um indivíduo em transformação.
Os grandes grupos e instituições brasileiras ligados ao Poder Judiciário, Igreja e Educação não concordam com a redução da maioridade penal. E neste grupo inclui-se o Conselho Federal de Psicologia.
Como psicóloga e como cidadã compreendo que a delinqüência e infração estão relacionadas intrinsecamente às questões sociais. O aumento da criminalidade infanto-juvenil tem dois braços de sustentação muito claros: um, que engloba crianças e adolescentes reféns da situação social e econômica do Brasil. São meninos de rua que cometem crimes amparados pelo vício em substâncias ilícitas, sobretudo o craque. Que cometem infrações a fim de manter o vício que também assegura a sensação de “menos frio” e “menos fome” nas ruas. O segundo braço pode ser entendido como o uso de crianças e adolescentes por criminosos que já respondem diretamente à Lei. São adultos do crime-organizado que criaram a indústria do crime infanto-juvenil para atuar de forma indireta. Sobretudo, no grande sistema do tráfico de drogas, menores de 16 anos “brilham” como estrelas de um filme com final infeliz. São usados como “mão-de-obra” para realizar operações arriscadas e “livrar a pele” daqueles que verdadeiramente se beneficiam com crime no Brasil. São influenciados a acreditar que são adultos, que têm poder e que poderão, um dia, comandar grandes facções criminosas e ganhar muito dinheiro com isso. Na maioria das vezes, morrem antes de completar 14 anos.
A psicologia entende que uma criança e um adolescente estão em fase de formação psíquica e emocional. Desta forma, qualquer tipo de influência externa tem o poder de moldar personalidades. Se um adolescente é exposto a um ambiente violento, opressor e manipulador, certamente irá desenvolver tais características negativas. É desumano, cruel e irracional acusar e condenar crianças e adolescentes que, comentem crimes, mas, na realidade, são também vítimas. Há que se criar – e verdadeiramente querer se criar – centros de recuperação e, antes disso, centros que retirem adolescentes das ruas e da violência a fim de evitar a prática criminosa.
É preciso compreender que a criminalidade juvenil não é uma opção. Ela é uma exigência imposta – de forma direta ou indireta - pela realidade de uma cultura de violência. É urgente que as grandes instituições brasileiras consigam reunir forças a fim de recuperar e preservar o desenvolvimento sadio e seguro de suas crianças. A punição, promovida por aqueles que defendem a redução da maioridade penal, somente amplifica a violência arraigada em nossa sociedade. Sociedade esta que possui um governo que pouco ou nada faz para nos retirar do status de subdesenvolvidos e tupiniquins.
Não à redução da maioridade penal no Brasil! Sim a todo tipo de incentivo e ação que movimentem o resgate e o estabelecimento da paz e da atmosfera saudável que devem permear a formação de crianças e adolescentes!



Luz e Paz! E crianças brincando e não matando!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"O tempo pessoal e o tempo do outro"


Tempo é uma medida tão íntima, tão relativa! Às vezes, uma hora para mim é uma eternidade e para o outro, 5 minutos. Nossa percepção temporal tem muito a ver com nossa história de vida, a maneira como administramos nossa rotina, a forma como nossos pais nos ensinaram a organizar nossas atividades naqueles minutos por vir que o relógio mostrava. Tem a ver também com nossa constituição neurológica e com a forma como nosso Sistema Nervoso Central recebe as informações através de nossos sentidos.

O mundo contemporâneo lida com o tempo de uma forma muito mais obsessiva e controladora do que o mundo de nossos avós. Aprendemos no mundo de hoje a acreditar nas máximas: "tempo é dinheiro", "meu tempo vale ouro", "não tenho tempo para isso". E, dessa forma, iniciamos um processo de priorizar o "nosso" tempo em detrimento do tempo alheio. Passamos a nos relacionar com os outros com a idéia de que eles roubam nossos minutos, levianamente. Iniciamos um processo egóico de controlar e administrar nosso tempo de modo que ele nos sirva na maior parte das vezes e que seja dedicado ao outro o menos possível. Nesta ação, a interpretação de "cuidar de si" ganhou uma roupagem equivocada.

Quando paramos para refletir sobre a questão do tempo, fica evidente que quase nunca exercitamos o olhar o outro com os olhos do outro. Nossa auto-referência, extremamente exacerbada, faz com que este exercício seja penoso e quase impossível. Como prova, temos a era em que os relacionamentos são os menos duradouros e os mais voláteis de todos os séculos! As pessoas preferem sempre trocar de parceiro ou desfazer uma relação de amizade quando alguma coisa não dá certo ao invés de tentar entender o outro lado ou o tempo do outro. Descarta-se relacionamentos como quem descarta um copo plástico.

A primeira lição que podemos tentar aprender é a de que, de fato, cada um tem seu tempo pessoal. E isso, diferentemente do que se pensa, não é ruim. A singularidade do ser humano é algo a ser celebrado, pois ela permite a troca. Mas, somente uma personalidade livre de vaidades pode aproveitar ao máximo a troca com o outro.

Em segundo lugar, ao aceitarmos que o tempo do outro é diverso do nosso, é preciso aprender a respeitar tal diversidade. Compreendê-la, mesmo que superficialmente, para estabelecer, desta forma, um contato fidedigno com a outra pessoa.

Assimilado esses dois pontos, partimos para a compreensão de que é preciso trocar de lugar, muitas vezes. Trocar de lugar no sentido de perceber que o outro também pode ter razão e que por isso mesmo é preciso respeitá-lo. É neste momento que afrouxamos nosso ego e passamos a entender que é possível trocar. E para trocar, temos que nos sincronizar com o tempo do outro.

Um exemplo prático: quando estamos caminhando com uma pessoa mais velha que nós, temos a tendência de acompanhá-la vagarosamente. Ninguém sai para passear com o avô, correndo à sua frente. Mesmo sabendo que naquele momento, você poderia caminhar mais rapidamente, por respeito ao outro, por querer estar na companhia do outro, você desacelera. Anda devagar. Ali, você mudou a frequência de seu tempo. Você permitiu que o tempo do outro fosse mais importante.

Na vida, em nossas atitudes, muitas vezes precisamos desacelerar da mesma forma. Ou até mesmo, apertar o passo para acompanhar o outro. Seja como for, é importante entender que, para sincronizar os tempos, precisamos mudar a frequência. Ou, mesmo que não queiramos sincronizar, precisamos entender que talvez a atitude do outro demore ou vá mais rápido do que a nossa. O pedido de desculpas numa discussão, por exemplo, pode demorar a chegar. A reação do outro quando sente-se agredido, talvez venha rápido demais. Enfim, como numa dança, as relações se permeiam pelo ajuste temporal.

Conseguindo compreender as variações do tempo, conseguimos da mesma forma compreender que a harmonia em nossas vidas pode ser conseguida e mantida mais facilmente através da percepção de nós mesmos, mas também da percepção dos outros.

O tempo é de todos. A partir desta visão, passamos a equilibrar melhor a administração de nosso próprio tempo.


Luz e Paz!

domingo, 2 de agosto de 2009

"Renovação"

Sempre que passamos por períodos de crise em nossas vidas estamos passando necessariamente por um momento de renovação. Sabe por que? Porque a crise movimenta, agita águas paradas há tempos, faz com que coisas obscurecidas venham à luz para que, de verdade, tudo fique mais organizado. E re-organização é sinônimo de renovação.
Às vezes, achamos que nossa história está indo de vento em popa. Acreditamos que o acúmulo de "sujeirinha" embaixo do tapete vai desaparecer em algum momento. Essas "sujeirinhas" são nossos sentimentos reprimidos, nossas mágoas, nossas raivas falsamente superadas... Tudo isso acumulado dentro da gente. Muitas pessoas conseguem manter o tapete intacto por muito tempo: dias, meses, anos e anos... E são essas que mais me preocupam. Elas reprimem demais e na hora da limpeza ganham trabalho dobrado.
Quase sempre recebemos um "sinal" de que as coisas estão estagnadas. Pode ser uma somatização no corpo físico como dores de cabeça, de estômago, alergias. Pode ser um abalo psíquico como ansiedade, depressão, variação exagerada de humor. Não importa como - qualquer um desses sintomas sinaliza que algo não vai bem.
A tendência do ser humano é a de se recolher quando percebe este alerta-vermelho. No entanto, este recolhimento quase nunca é produtivo. É, na verdade, uma esquiva daquilo que enxergamos, mas que fingimos não enxergar. É uma corrida insana e desenfreada de si mesmo, que, ao invés de aliviar, sobrecarrega ainda mais.
Quando adotamos a postura de compreensão do que está acontecendo, de nossa crise, de nossas dificuldades, estamos assinando um contrato de troca com garantia total de satisfação: olhe para o que está acontecendo e receberá, como moeda, a oportunidade do "novo" em sua vida. Mas, por que é tão difícil assinar tal contrato?
Porque tememos o novo. Estamos acostumados com o velho, mesmo que este velho signifique algo ruim. Desta forma, permanecemos estagnados, sobrevivendo ao invés de viver.
Para que consigamos a mudança que queremos ver em nossas vidas, temos que aprender a abrir mão do que temos. Exercitando o desapego do conhecido e tendo a certeza de que a renovação trará coisas absolutamente positivas, entramos em contato com o real sentido de nossa existência: a evolução através do aprendizado, que só acontece quando entramos em contato com coisas novas.
Faz sentindo? Pense nisso! Renove sua vida!
Luz e paz!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Disposição Interna"


Quando estamos passando por um momento de crise muito intenso ou quando avaliamos que é preciso realizar uma grande mudança em nossas vidas, existe um fator essencial para que os planos se tornem realidade: a disposição interna.

Muitas pessoas chegam ao consultório, diariamente, com diversos tipos de problemas. A ida ao psicólogo já é um grande passo e é preciso valorizar esta atitude ao extremo, pois sabemos o quanto é difícil, para a maioria de nós, admitir que precisa de ajuda. No entanto, é muito comum a idéia de que o terapeuta fornecerá todas as respostas e receitas para que a situação-crise seja solucionada. Devo informar: isto nunca acontece. Ou pelo menos, não deveria acontecer.

O papel do profissional de psicologia é o de auxiliar. Ouvimos, organizamos e ajudamos aquela pessoa a compreender os motivos pelos quais se encontra em determinada situação. Na realidade, o sucesso ou insucesso de um processo de psicoterapia depende disso: da forma como o terapeuta conduz as sessões. Se ele cede às exigências veladas do paciente e acaba atuando como um solucionador de problemas, certamente pouco ou nada contribuirá para o equilíbrio psíquico do outro. Se ele entende que é um facilitador e que a mudança necessariamente tem que partir do paciente, aí então, segue o melhor caminho, propiciando a autonomia e autenticidade naquela vida. Simples assim.

Neste processo positivo de psicoterapia, a disposição interna é muito valiosa. Sem ela, nada é possível: o processo torna-se imóvel, pois o principal e mais importante "motorista" recusa-se a vislumbrar o melhor caminho.

No início, é muito comum que aconteça uma grande resistência pelo paciente. Afinal, todos nós gostaríamos de entregar nossos problemas a outras pessoas para que elas pudessem resolvê-los! Entretanto, ao superar tal resistência, aquela pessoa tem a chance de experimentar uma sensação incrível: a própria força interior e a percepção de que é absolutamente capaz de decidir o que quer e o que não quer mais em sua vida. Nasce, neste momento, uma estima tão grande por si mesma que a ajudará a ser cada vez mais feliz e assertiva na resolução de possíveis crises futuras.

É importante dizer que todos nós temos disposição interna. Até mesmo indivíduos com quadros depressivos severos. Isto porque, organicamente, somos preparados para a sobreviência nas adversidades. Desta forma, ao recusar-se utilizá-la num processo de mudança, estamos fazendo uma escolha: a da imobilidade fatídica. Esta noção de livre-arbítrio nos dá uma responsabilidade gigantesca sobre nós mesmos, mas também nos coroa com o maior bem do ser-humano: a liberdade.

E você? Já sabe o que vai escolher?


Luz e Paz!



segunda-feira, 8 de junho de 2009

"A má fé"


Jean Paul Sartre (1905-1980), filósofo francês, chama de "ma fé" a ação que todo ser-humano exerce de negar sua própria liberdade. Má fé é, em poucas palavras, o uso da proteção psíquica da imobilidade diante de tantas possibildiades de movimento; é a negação do livre-arbítrio e a transferência do poder de escolha para terceiros. É fingir que não se enxerga a saída.
A má fé é sempre direcionada a si mesmo. É a auto-privação da mudança. É escolher não escolher por medo de dar errado. É aprisionar-se.
Agimos pela má fé quando insistimos em nos colocar em posições de vítimas do destino, do cônjuge, da família, do trabalho... Enxergamos no fim do túnel a liberdade que grita, mas fazemos vista grossa para que não tenhamos que nos arriscar.
A má fé é de natureza inconsciente, mas se fizermos uma busca em nossas ações passadas certamente encontraremos muitas situações em que nos acovardamos diante da mudança ou que preferimos deixar para o vizinho a decisão de nossas próprias vidas.
Ao negarmos nossa liberdade, passamos a nos submeter à situações limitadoras e que minam nossa auto-estima, segurança interna e poder de decisão. Nos tornamos mais frágeis e por isso mais dependentes. Culpamos muito mais os outros de forma leviana.
O mais importante, tendo em mãos esta informação, é que passemos a fazer um exercício diário contra esta ação limitadora, treinando nossa mente e nosso psiquismo para que cada vez menos obedeçam nosso instinto e tendência de agir desta forma negativa.
A identificação de que agimos pela má fé é trabalhosa e muitas vezes difícil de ser aceita, mas a partir do momento que deixamos de lado esta "muleta comportamental", passamos a compreender a vida como uma fonte inesgotável de possibilidades, que oferece inúmeros caminhos para a auto-realização e encontro da felicidade.
Pratique menos a má-fé e perceba a preciosidade de ter as rédeas da própria vida em suas mãos. Experimente o exercício da verdadeira liberdade!

Luz e Paz!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

"Facilitando as coisas"


O ser humano ganha o título de "humano" pela capacidade de utilizar esquemas mentais através do pensamento de forma inteligente. É basicamente esta característica genética que nos diferencia dos demais colegas do reino animal.
Pensar é excelente. O exercício cognitivo nos dá a sensação de sermos mais fortes, espertos, de termos em nossas mãos a solução para qualquer problema que possa aparecer inesperadamente. Mas, será que de fato isto acontece?
Na realidade, a super valorização do pensar vem trazendo mais problemas ao homem moderno do que soluções. Os desdobramentos do pensamento acabaram criando defesas tão arraigadas ao psiquismo que ao invés de nos sentirmos felizes por pensar, muitas vezes, gostaríamos que nossa mente se aquietasse um pouco.
A evitação, o controle, a preocupação, a conjectura e o planejamento representam uma porcentagem muito grande de adoecimento psicológico na atualidade. O mal uso do pensamento faz com que os indivíduos utilizem a capacidade de raciocínio muito mais contra si mesmos do que a favor. É o que acontece nas patologias de ansiedade, depressão, pânico, somatização, fobia... O homem, então, se faz irracional.
Teoricamente, o pensamento é por si só livre. Entretanto, esta liberdade é cerceada pelo repertório individual de aprendizagens. Assim, o pensamento é pseudo-livre. Ele responde exatamente aos comandos que ordenamos e que são baseados em nossa história de vida: se ela for minimamente equilibrada nossa mente trabalha dentro destes moldes. Se ela for menos equilibrada, a mente também trabalhará nestes moldes menos equilibrados.
O pensamento, então, ganha o status de fragilidade e passa a trabalhar muito mais com crenças, apreensão singular (muitas vezes distorcida)da realidade e dedução do que com elementos positivos. E é neste momento que a mente adoece e que nossas vidas começam a sofrer modificações severas através de nossos comportamentos. É quando tendemos a complicar ao invés de facilitar as coisas.
O ideal seria que o pensamento estivesse cada vez mais livre e distante de nosso personalismo. Desta forma, estaríamos mais abertos à otimização do uso da capacidade geral do cérebro. Algumas pessoas chamam isso de intuição. E a intuição é, na prática, a capacidade momentânea de acessarmos regiões cerebrais disponíveis a serem descobertas, mas que geralmente não exploramos porque desenvolvemos uma forma segura e restrita de pensar.
O melhor começo para "despersonalizar" nosso pensamento sem que enlouqueçamos por isso é o exercício do desapego de crenças, afrouxamento do ego exacerbado, exercício da escuta e percepção de que há muito o que aprender no universo.
A partir da mudança de postura em relação a como alimentamos nossas idéias e formas de pensar é que entendemos que o tipo de qualidade de vida que temos está e sempre esteve em nossas mãos. Nos sentimos mais seguros, responsáveis e com a sensação de que finalmente estamos facilitando as coisas!
Que tal tentar? Abra sua mente!

Luz e Paz!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"É PRA PRESENTE" - HISTÓRIAS CURTAS

Este curta é muito especial. Sensível e simples, "É pra presente" de Camila Gonzatto é um convite a celebrar as coisas boas da vida: um amor, um livro, um café.




Aproveitem!

domingo, 10 de maio de 2009

"Timing"

Timing é um termo que designa o que em português podemos chamar de tempo interno. É a percepção quase matemática da hora certa. Hora certa para agir ou para parar. Hora certa de calar-se ou de falar. Hora certa de começar ou adiar.
Muitas pessoas acreditam que o timing é uma qualidade de poucos, entretanto, todos nós possuímos essa capacidade de percepção. O que acontece é que nem sempre nosso tempo interno está devidamente ajustado.
A afinação do timing acontece para alguns de forma intuitiva e natural e para outros de forma forçosa ou repetidamente exercitada. Qualquer que seja o caminho, é importante perceber que sem timing, a vida passa a ser mais difícil de ser levada.
O tempo interno pode nos auxiliar em diversos aspectos: desde o fechamento de um importante negócio no trabalho até a condução saudável de um relacionamento. Imagine como é importante perceber a hora certa de oferecer uma contra-proposta ou o momento exato de calar-se numa discussão no casamento: qualquer decisão tomada fora do tempo pode levar a complicações irremediáveis. Perceber o que se deve ou não fazer faz parte do exercício do timing.
Auto-conhecimento é a palavra-chave que nos direciona ao equilíbrio do tempo interior. Sem ele, fica impossível identificar nosso relógio interno que existe para nos dar pontualmente as diretrizes para a ação e não-ação. Escutar os sentimentos com "ouvidos" atentos, perceber o que acontece ao redor, não ser paralisado pelo medo, evitar o desgaste psíquico provocado pelo excesso de pensamentos insistentes e auto-sabotadores é um bom começo.
Compreender que a intuição é uma valiosa aliada e passar a utilizá-la associada com o pensar objetivo certamente irá ajudar na percepção do tempo interno, fazendo com que aos poucos se consiga errar menos e acertar mais.
Luz e Paz!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"A prática da busca pelo olhar genuíno"



Quando olhamos para o outro ou para as coisas olhamos com os olhos viciados de idéias pessoais, de conceitos estabelecidos e muitas vezes de verdades irredutíveis. O olhar passa a ser, então, uma atitude muito mais tendenciosa do que genuína. Passa a significar conjecturas de uma mente singular e não necessariamente um retrato da realidade.

Grande parte dos problemas das pessoas que chegam até mim é derivada desta apreensão equivocada da realidade. Relacionamentos que não dão certo, projetos que não vão para frente, metas interrompidas por deslizes na conduta pessoal.

Cada um dá para seus problemas e indagações a roupagem que consegue apreender e enxergar. E é exatamente neste "enxergar" que muitas vezes o excesso de pensamentos desconexos acaba cegando o que de fato está acontecendo. Mas como desenvolver um olhar genuíno?

Quase sempre acreditamos que o caráter genuíno tem a ver com uma única verdade. Não é exatamente assim. Genuinidade tem uma ligação muito maior com a pureza daquilo que se busca. E a pureza, muitas vezes, só é conseguida através da soma de muitas verdades e da ponderação desta multiplicação de idéias. A partir do momento em que se consegue avaliar todas as variáveis envolvidas numa determinada situação é possível obter um resultado muito mais fidedigno e, por isso, genuíno.

Utilizando o exemplo de uma relação entre duas pessoas, num casamento em crise, por exemplo, podemos pensar em quanto a visão genuína é falha e até mesmo inexistente. Quase sempre, os "lados" ficam muito bem delimitados e o outro é sempre a parte falha da relação: ele não me dá atenção, ela não entende que eu preciso trabalhar mais, ele não compreende que eu preciso de espaço, ela não me deixa ter um momento em silêncio, etc. A responsabilidade na ponderação e percepção da unidade desaparece, pois sentimentos e pensamentos auto-centrados e confusos ocupam o lugar do discernimento e da apreensão verdadeira da realidade.

A melhor forma de iniciar a prática da busca pelo olhar genuíno é despir-se de orgulho e vaidade intelectual. É perceber que a verdade existe, independente de "lados". É compreender que o próprio olhar muitas vezes dissimula e é tendencioso e que é necessário que façamos um mergulho profundo nas situações para que consigamos tirar nossas próprias lentes enganadoras dos olhos e então, de fato, avaliar com clareza o que é real.

Como em todo aprendizado, este exercício é diário e é preciso que estejamos atentos para que ele não se torne automático ao ponto de tornar-se banal e por isso sem sentido. A busca da genuinidade pode ser prazerosa a partir do momento em que nos damos conta de que os resultados são só positivos, no sentido de agregar muito mais conhecimento pessoal e conhecimento do outro, além de provocar uma consciência ampliada de nossa atuação no mundo.

Quando o filósofo Kant indagava se "o azul que eu vejo é o mesmo azul que você vê?" estava refletindo sobre a visão das coisas. E é este tipo indagação que deve nos acompanhar todos os dias, evidenciando que é preciso ponderar antes de se concluir qualquer coisa. A isto chamo prática da busca pelo olhar genuíno. Experimente também.


Luz e Paz!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

"Compartilhar"


Compartilhar é dividir. É repartir com o outro alguma coisa. É conseguir subtrair a quantidade própria em prol da multiplicação ao universo alheio.
Desde crianças, aprendemos que repartir é perder. Quando a criança divide algo com seus irmãos ou primos, sente o mal estar egóico corroer por dentro. Isso acontece porque a forma como nos é colocada a idéia de divisão faz com que acreditemos que necessariamente existirá perda. Mas, não é necessariamente assim. Compartilhar é aprender que - sempre ou quase sempre - ganha-se mais do que se dá.

Temos muito a compartilhar nesta vida: coisas boas, coisas ruins, objetos, palavras ouvidas, receitas, histórias, alimentos. Entretanto, só podemos compartilhar verdadeiramente o que nos pertence. Não saímos por aí dividindo o que não é nosso. E se o fazemos, agimos com leviandade.

O que é nosso pode ser partilhado a qualquer momento. Mas não sempre. Pelo menos deveria ser assim. Há quem compartilhe tanto que se esvazia: transforma sua autonomia sobre determinada coisa em domínio público e acaba por não perceber mais o que é de quem ou quem é quem. Indivíduos assim tendem a querer encontrar respostas na boca de outras pessoas, sem perceber que o que precisam é escutar a voz interior.

Há também aqueles que não compartilham nada. São fechados, ávaros, acumuladores de tudo. E quando se dão conta, transbordam de tanto excesso. Excesso por não conseguirem dividir sentimentos, coisas, conquistas e idéias com o vizinho do lado.

Como tudo na vida, o compartilhar tem que ter medida: nem tão ao céu, nem tão à terra. Mas o mais importante é que na medida certa, este pode ser um exercício libertador. Ao dividir com o outro, conseguimos colocar em palavras ou gestos tudo aquilo que permeava simplesmente nosso universo interno. É como se conseguíssemos enxergar de fato o objeto compartilhado e ele ganhasse cor, forma e até mesmo novos significados.

Assim como compartilhamos exercendo o papel de quem dá, também comparilhamos exercendo o papel de quem recebe. Receber é tão delicado neste contexto quanto dar. É preciso que também saibamos a medida do receber, pois não queremos roubar o que um dia foi só do outro nem tão pouco ganhar bagagens extras desnecessárias nesta nossa caminhada. Receber é conseguir abarcar o que o outro nos oferece e devolver- de forma assertiva e terna, numa nova roupagem - o resultado da nossa impressão pessoal.

Todos aqueles que praticam o ato de compartilhar certamente posicionam-se diante da vida de forma mais autoral, com menos receios, com mais vitalidade e com a segurança tranquilizadora de que movimento é transformação!



Luz e Paz!


sexta-feira, 20 de março de 2009

"Pessoas Reativas"


É comum esbarrarmos em pessoas que têm como lema: “meu comportamento depende do seu”. A isso, chamo reação. E quase nunca a reação é uma atitude assertiva e positiva.
Reagir, nestes casos, é o mesmo que imitar, usar a ação do outro, agir impulsivamente. E todas estas características levam invariavelmente à limitação. Quando existe a reação ao invés da ação, todas as possibilidades do vir-a-ser individual desaparecem. A própria singularidade é entregue ao opositor numa bandeja.
Pessoas reativas quase sempre agem desta forma não por leviandade, mas por acreditar que estão sendo justas. Mas, justas com quem?
A reação proporciona uma falsa satisfação imediata. É como se a sentença “olho por olho, dente por dente” fosse cumprida à risca. Mas, com o passar do tempo, esta atitude extremada cede lugar ao arrependimento, insegurança e sentimento de culpa, pois, muitas vezes, acontece simplesmente um desabafo e a situação em si não é resolvida de forma eficaz para nenhuma das partes.
Um antídoto contra a reação impulsiva é sem dúvida alguma o auto-conhecimento. Conhecendo a si mesmo, é possível brecar qualquer tipo de comportamento intempestivo, tendo a chance de pensar melhor sobre o assunto, refletir quais são de fato as melhores alternativas de resposta à situação crítica e indiretamente, diminuir o comportamento agressivo e desafiador do outro.
Refletir ao invés de reagir é praticar a sabedoria interior. Esta atitude só traz benefícios, principalmente por resolver efetivamente o conflito criado de forma positiva a todos.

Luz e Paz!

quarta-feira, 4 de março de 2009

"O curioso caso de Benjamin Button"




Quem puder assistir a esta produção impecável, não perca tempo! "O curioso caso de Benjamin Button" é uma história que nos faz refletir de forma profunda e poderosa sobre nós mesmos, sobre nossas escolhas, sobre o rumo que damos às nossas vidas, sobre a nossa transitoriedade.


Muito além do enredo fantasioso que fala sobre um bebê que nasce velho, o filme nos convida a perceber como somos ímpares e em como essa singularidade é um presente que temos que desembrulhar aos poucos, a cada dia, descobrindo a sorte de sermos quem somos.


O poder de superação de dificuldades e a forma como o protagonista consegue transformar um suposto problema em uma lição de vida, faz-nos pensar em como podemos fazer o mesmo.


É um brinde à auto- aceitação e à aceitação de nossa história, um caminho que necessariamente nos leva à conclusões muito positivas sobre a vida!


Aproveitem!




Luz e Paz!


Pedrita

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"A diferença entre Síndrome do Pânico e Estresse Pós-Traumático"


Resolvi falar mais especificamente sobre uma patologia no tema desta semana, pois existe algo que me preocupa: o grande número de pessoas que chegam até mim com o equivocado diagnóstico de Pânico.

Síndrome do Pânico é uma doença ligada ao espectro dos Transtornos de Ansiedade. O indivíduo acometido de Pânico sofre ataques espontâneos que ocorrem sem previsão e que ocasionam diversas respostas físicas à ansiedade desencadeada, tal como palpitações, dormências faciais, alteração no ritmo respiratório e sensação de morte iminente. Os ataques duram em média 30 minutos e são tão bruscos que quase sempre, numa primeira experiência de crise, a pessoa acaba num Pronto Socorro, procurando ajuda médica emergencial por acreditar que está sofrendo de um ataque cardíaco.

Depois do primeiro ataque, o Pânico pode passar a acontecer sempre, em períodos espaçados ou não. O paciente, então, tomado pelo medo, passa a sentir-se desamparado e extremamente vulnerável, iniciando o processo de auto-aprisionamento, evitando lugares tumultuados e chegando até a recusar-se sair de casa. É quase sempre neste momento que a ajuda do Psiquiatra e do Psicólogo acontece, pois a situação passa a ser insustentável, afetando a vida do indivíduo de forma geral e devastadora.

Nestes casos, a psicoterapia aliada necessariamente à medicação é fundamental. É no setting terapêutico que o auto-controle será desenvolvido. É no consultório do Psiquiatra que o ajuste da medicação acontecerá de forma a equilibrar quimicamente o organismo daquele indivíduo.

Outra doença do espectro dos Transtornos de Ansiedade é o que chamamos de Estresse Pós-Traumático. Menos popular, esta doença acomete em termos percentis, muito mais pessoas do que a popularizada Síndrome do Pânico.

O Estresse Pós-Traumático (EPT), tem características muito semelhantes ao Pânico em relação à sintomas e percepção dos ataques. Entretanto, um fator fundamental o diferencia: o gatilho para que se manifeste nunca é espontâneo. A pessoa que tem o primeiro ataque de EPT esteve exposta - no passado - diretamente a um acontecimento perceptivelmente estressor que ocasiounou um trauma severo. Pode ter sido uma situação-limite ou simplesmente um acontecimento que desencadeou ansiedade extrema na ocasião. Assim, após o momento de estresse principal (ou trauma) o indivíduo passa a rememorar o acontecido através de lembranças, sonhos e idéias fixas que o prendem à situação, desencadeando ataques de ansiedade recorrentes. O primeiro ataque pode acontecer logo após o trauma original ou ficar adormecido, manifestado-se depois de muitos anos. É comum que a pessoa desenvolva comportamentos de evitação constantes, incluindo evitação de situações que ofereçam estressores semelhantes aos vivenciados no trauma ou adequação à rotina que tinha antes.
Assim como o Pânico, o EPT deve ser tratado com medicação e psicoterapia. Neste caso, a terapia irá tratar de dessensibilizar o paciente em relação ao trauma, fortalecendo sua auto-confiança e fazendo com que aos poucos supere a doença.

O que acontece, entretanto, é que com a popularização do termo "Síndrome do Pânico", muitas pessoas acreditam sofrer da patologia, quando, no entanto, possuem EPT. O auto-diagnóstico é um grande limitador, pois muitas vezes a pessoa rotula-se, sem ao certo saber o que está acontecendo consigo. E o pior: relutam a procurar ajuda médica e psicológica, pois passam a sentir-se "fracas", "malucas", "doidas", quando estão na verdade doentes. Outro problema é também - e infelizmente - o diagnóstico do Psiquiatra que, muitas vezes, acaba sendo igualmente equivocado, não por incapacidade profissional, mas pelo paciente não saber fornecer informações completas sobre como as crises começaram. É necessário que aconteça um Diagnóstico Diferencial preciso para que erros não sejam cometidos.

Este esclarecimento me parece de grande importância, pois o quanto antes um indivíduo acometido de qualquer patologia - e sobretudo de Transtornos Ansiosos - procura ajuda médica e psicológica a menos sofrimento psíquico é exposto.

O medo de parecer "fora do normal" é quase sempre a característica mais limitadora para que as pessoas cuidem de sua saúde com responsabilidade e comprometimento pessoal. Não deixe de procurar ajuda sempre que sentir que algo não vai bem e cuide para que as pessoas ao redor façam o mesmo!


Luz e Paz!



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Ponderar"


O sujeito que pondera é aquele que consegue, na tempestade criada pelo turbilhão de sentimentos, "subir à superfície" e tomar um fôlego.

Ponderar é olhar com mais cuidado uma situação que se apresenta de forma inesperada ou confusa, é saber analisar com olhos de quem quer ver a melhor posição a ser tomada em determinado momento. É esperar antes de agir para agir melhor.

Ponderar não é assumir a postura de colocar tudo, sempre, numa balança. Nem tão pouco se tornar uma pessoa prevenida e completamente rígida. Ponderar é exercer de forma inteligente e assertiva o hábito da reflexão pessoal. E quem reflete é, sempre, flexível.

Ora, é muito fácil refletir de forma tranquila quando tudo vai bem. Entretanto, em situações de crise, refletir é quase uma ação impossível para muitas pessoas. E é neste momento que a reflexão faz mais sentido. É exatamente na crise que precisamos de respostas que levem em consideração um auto-conhecimento ampliado.

Quem passa a exercer o ato de ponderar passa a exercer a liberdade pessoal, pois observa mais, erra menos e se dá conta de que nada é fatidicamente permanente. Ponderar é entender que as coisas são mutáveis e que muitas das mudanças podem e devem partir de nós mesmos.

A partir do momento que nos damos conta de nossa parcela arbitrária e participativa sobre nossas vidas, entendemos que ponderar e refletir sobre algo ou sobre si mesmo é um dever pessoal e um ato de amor próprio.


Luz e Paz!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Gentileza"


Uma das virtudes que mais aprecio nas pessoas é a gentileza. Não aquela forçada, com o sorriso quase amarelo e de músculos contraídos. Mas aquela que vem da pessoa que compreende que a vida é um vai e volta e que a espontaneidade de bons sentimentos e atos é o melhor caminho para seguir na vida.

Muitas pessoas de cara amarrada ou semblante sério talvez sejam desta forma por medo de parecer frágeis demais ou tolas demais. Se embrutecem e tornam suas vidas duras. É como se lutassem por um pedaço de comida na selva.

Nosso organismo "sente" nossos pensamentos. O cérebro envia mensagens o tempo inteiro para nosso corpo. Quando adotamos a postura da gentileza, cada célula compreende que pode tranquilizar-se, pois tudo vai bem. Quando adotamos a postura da inacessibilidade, nossas células correm para produzir defesas desnecessárias. O stress está instaurado.

Quem pratica a gentileza ganha logo um pacote: solidariedade, amizade, bem-estar, coração leve, otimismo. Para essas pessoas, qualquer tipo de problema é amenizado, pois carregam consigo o ideal de que a vida as recompensará em algum determinado momento da história.

Ser gentil é entender que o mundo é formado por milhares de pessoas, é ser menos egoísta, é olhar para o outro com carinho e atenção.

Pratique a gentileza em seu dia a dia. Gentileza gera gentileza!


Luz e Paz!



terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"Sono"


Segue uma reportagem muito interessante sobre sono e qualidade de vida! Vale a pena ler e avaliar como anda a própria rotina!


Luz e Paz!





"Quase metade dos brasileiros sofre de distúrbios do sono, segundo associação"

Da Agência Brasil

Pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira do Sono mostrou que 43% dos brasileiros não têm um sono restaurador e apresentam sinais de cansaço no decorrer no dia. Os distúrbios dos sono podem causar desde problemas à saúde, de relacionamento e profissionais até acidentes graves."A qualidade do sono é tão importante quanto a qualidade da alimentação. Quando o sono é restaurador, acordamos com vitalidade, energia e motivação. Quando não dormirmos o necessário despertamos, ao longo de vários dias, cansados em demasia, irritados e com a capacidade produtiva reduzida", explicou Jânio Savoldi, especialista da entidade.

Os distúrbios dos sono podem causar desde problemas à saúde, de relacionamento e profissionais até acidentes graves.
O pneumologista e professor da Universidade de Brasília, Carlos Viegas, afirmou que os três principais problemas do sono são as insônias circunstanciais ou crônicas; os distúrbios como a apnéia (paradas respiratórias durante o sono), os roncos, que atingem grande parte da população, e os distúrbios neurológicos do sono, que são mais raros, e afetam apenas 1% da população.Segundo o médico, o sono existe para que se possa restaurar do ponto de vista físico e psíquico. É preciso dormir um determinado número de horas, com qualidade, para se passar pelos vários estágios do sono."Quem sofre de distúrbio do sono poderá ter infarto, obesidade, diabetes, arritmia e hipertensão arterial. Não existe qualidade de vida sem qualidade do sono. Por isso, uma pessoa dorme um terço de sua vida, oito horas num período de 24 horas e aos 60 anos terá dormido 20 anos", exemplificou Viegas.O pneumologista destacou, ainda, que uma pessoa que passa várias noites com o sono fragmentado terá perda de atenção. "Um dos problemas mais comuns entre profissionais, como motoristas e operadores de máquinas, são os acidentes. No Brasil não há dados estatísticos, mas nos Estados Unidos são mais de 25 mil acidentes por ano, causados pela falta de sono", afirmou Viegas.O Laboratório de Medicina do Sono, do Hospital Universitário de Brasília, é o primeiro no país a oferecer atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço só é prestado gratuitamente em mais duas outras capitais: Porto Alegre e São Paulo.A psicóloga responsável pela área de psico-educação do laboratório, Lisiane Bittencourt, indicou que se faça uma higiene do sono para garantir uma noite tranqüila."Deve-se deitar e acordar no mesmo horário nos sete dias da semana, desligar todos os aparelhos que despertem a atenção, evitar a ingestão de alimentos com cafeína, como o café, refrigerantes com cola, chocolate, beber pouco líquido após as 19h e comer refeições leves, de preferência até três horas antes de deitar", recomendou Lisiane.