sábado, 27 de dezembro de 2008

"Saudade" *


Depois de mais de dez dias sem postar e em período de festas, estou de volta! Pensando em qual seria minha próxima publicação, muitos assuntos passaram pela minha mente. Muitos mesmo. Decidi falar sobre algo que só tem tradução na língua portuguesa e que é um sentimento que todos nós, desde muito cedo, já experimentamos: saudade.

Afinal, o que é aquela coisa que aperta o coração, que nos deixa muitas vezes melancólicos e que só aumenta se não conseguimos diminuir a distância entre nós e nosso objeto? Quais conteúdos internos mobiliza? Por que sentimos isso?

Saudade é um termo utilizado quando queremos expressar que alguém ou alguma coisa nos faz falta. E partindo dessa visão, se sentimos falta de alguma coisa ou de alguém é porque não nos sentimos completos sem isso. Talvez por este motivo a saudade mobilize tanto e nos faça entrar em contato com sentimentos reprimidos, não superados e até mesmo não percebidos conscientemente. Podemos considerá-la como um termômetro que indica nossa relação com o outro.

Mas a saudade não é só direcionada para fora. Muitas pessoas sentem saudade de si mesmas ou de como eram em alguma fase de suas vidas. Saudade de uma época passada nada mais é do que saudade daquilo que se foi e que agora, por algum motivo, não se é mais.

Existem pessoas que vivem pela saudade. São muitas vezes pessoas apegadas demais ao tempo passado, que não conseguem viver no presente e que por isso fogem da realidade através das lembranças. Como num círculo vicioso mantém-se num passado distante ou recente e passam a lamentar por tudo o que perderam, sem se dar conta de que o presente se faz agora. Desenvolvem depressão e tendem a possuir visão pessimista generalizada.

A saudade também pode ser por alguém já falecido. E na maioria dos casos, este tipo de saudade é a que mais demora para cicatrizar. Com a certeza de que a pessoa não retornará, nestes casos, o principal alimento da saudade que é a esperança, simplesmente não existe. Há que se elaborar muito bem o luto e tentar diminuir os sentimentos negativos da saudade pelos positivos, através da rememoração de momentos bons e que trazem bem estar. Eliminar a culpa em relação a própria conduta de vida que se tinha com a pessoa que já partiu também é essencial.

A saudade por um grande amor talvez seja a mais vivenciada e percebida pelas pessoas. É exatamente a falta, a sensação de que a vida não está completa sem aquele ser. Se resguardada de sentimentos como ciúme, possessividade e controle, esta saudade pode ser positiva, pois possibilita que bons sentimentos estejam relacionados ao outro. E quando este outro volta, novas possibilidades de relação se estabelecem, desde que ambos estejam dispostos. Entretanto, se a volta não é possível, é preciso que a perda seja compreendida e que o amor por si mesmo seja a grande chave para a superação.

Como todo sentimento, a saudade deve ser encarada como um momento de entrarmos em contato com nosso interior. É o momento de avaliarmos nossa relação com o mundo, com tempos passados, com o outro e conosco. É através deste movimento que a saudade torna-se benéfica e passa a representar uma porta de entrada para o universo do auto-conhecimento. Por isso, quando a saudade bater, não deixe de abrir esta porta e fazer esta viagem!


Luz e Paz!


* Dedicada a todas as pessoas e coisas que já me fizeram falta e àquelas que ainda me fazem sentir saudade!

domingo, 14 de dezembro de 2008

"Nada é por acaso"


Definitivamente, não acredito em acaso. Qualquer movimento em qualquer fração de segundo tem um sentido em sua existência. A isso chamamos de sincronicidade e não coincidência. Atraímos ou repelimos fatos e pessoas, como numa sintonia fina.

Pensando desta forma fica mais fácil compreender porque passamos por determinada situação em nossas vidas. Conseguimos avaliar aquilo que fizemos ou deixamos de fazer e desta reflexão extraímos lições que nos acompanharão por toda nossa história e que, em algum ponto dela, nos servirão de apoio.

É como se aprendêssemos a cada segundo a viver. Assim como a criança aprende a caminhar, aprendemos a nos comportar de acordo com os acontecimentos de nossas vidas. Nem de longe esta é uma visão estagnada de que nada se transforma. Pelo contrário. Encarando a vida desta forma, conseguimos mudar muitas coisas através do livre-arbítrio. E na minha opinião, nem o livre-arbítrio é por acaso.



"Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento." - Deepak Chopra



Luz e Paz!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

"Ouvir"


Na minha prática profissional diária, o que mais faço é ouvir. As pessoas precisam da terapia para falar, desabafar, contar suas mazelas. É claro que parte fundamental do atendimento deve-se à intervenção, mas esta, em todos os casos, acaba acontecendo somente algum tempo depois, pois o paciente não consegue escutar. Qualquer tipo de instrução ou tentativa de provocar insights através da palavra é quase uma tarefa impossível. O paciente quer esvaziar-se.

Neste período, cabe ao terapeuta saber a hora de iniciar o estímulo à escuta, o que acontece normalmente depois de algumas sessões.

Saber ouvir não é uma qualidade muito vista nos tempos modernos. Depois de anos de diversos tipos de repressão, as pessoas querem colocar pra fora tudo o que podem e muitas vezes o que não deveriam. Esqueceram-se da máxima: "Falar é prata, calar é ouro". E este calar implica em ouvir.

Amontoados de casos no consultório sobre problemas de comunicação, sobretudo em relacionamentos. O exercício do ouvir torna-se tão penoso em algumas situações que as relações terminam sem um fim verdadeiro, deixando uma sensação de algo inacabado para a vida toda, pois nenhuma das partes teve paciência para ouvir o motivo do outro.

A paciência para ouvir não é nem de longe estimulada. Ao contrário: o que se vê é um estímulo ao não-ouvir. Com o advento da comunicação pelo rádio via celular as pessoas passaram a conversar de forma cindida: uma fala e depois escuta o que a outra tem para falar. Mas não funciona. Existem mais mal entendidos do que solução neste meio de comunicação e enquanto o outro dá a resposta, o ouvinte argumenta mentalmente sem ao menos ter escutado o final do raciocínio do outro. Outra mania, principalmente entre adolescentes: o ipod. Ninguém mais sobrevive sem música ou vídeos em casa, no trabalho, nas ruas. Pessoas com fone de ouvido o tempo inteirinho. É como se usassem uma placa gigante amarela no pescoço: "Não fale comigo. Não quero ouvir!".

Ouvir também pode ser ampliado para escutar a voz interior. Não seria lógico que, por escutar menos os outros, as pessoas escutassem mais a si mesmas? Isso não acontece. Quem não escuta o outro não escuta a si. Pelo menos não da maneira introspectiva. Talvez escute suas vontades, seus egoísmos. Mas isto não acrescenta nada.

Não ouvir está intimamente ligado com um estado de ansiedade generalizado, ansiedade por algo que nunca chega e que nem se sabe ao certo o que é. Por isso o exercício do ouvir deve ser praticado no dia a dia. Ouvir é exercitar a paciência, pois é preciso adaptar-se ao tempo do outro para que a informação seja compreendida verdadeiramente. Ouvir é contemplar o mundo externo e interno, é acrescentar novas perspectivas às coisas.


Luz e Paz!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"Sobre a Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen"



"A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen" é uma das obras mais valiosas já publicadas. Sua leitura é incorporada a cada página por nossa consciência de uma forma tão sutil que parece fazer parte de nossa própria história de vida.


Meditativa, reveladora e simples, assim como a filosofia zen.




A seguir, um dos trechos mais marcantes:


"Dia após dia, eu ia penetrando com maior facilidade
na interpretação e na prática da Doutrina Magna do
tiro com arco e a executava sem esforço, como se o
estivesse praticando durante um sonho. Confirmavam-se,
assim, as palavras do mestre. Contudo, eu não
conseguia me concentrar além do momento do disparo.
Manter a atenção num máximo de tensão não só me
fatigava, ocasionando um relaxamento da própria
tensão, como se desvanecia, perdendo sua energia
potencial até tornar-se insuportável e, em muitas
ocasiões, obrigando-me a dirigir minha atenção,
provocando eu mesmo o disparo.
- Deixe de pensar no disparo!, exclamava o mestre.
- Assim não há como evitar o fracasso!
- Eu não consigo evitar, repliquei. -A tensão é
insuportavelmente dolorosa.
- Isso acontece porque o senhor não está realmente
desprendido de si mesmo. Contudo, é tão simples... Uma
simples folha de bambu pode ensiná-lo. Com o peso da
neve ela vai se inclinando aos poucos, até que de repente
a neve escorrega e cai, sem que a folha tenha se movido.
Como ela, permaneça na maior tensão até que o disparo
caia: quando a tensão está no máximo, o tiro tem que
cair..."




(A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, de EUGEN HERRIGEL, Editora Pensamento)






Espero que possam entrar em contato com a totalidade desta obra e obter insights importantes para a vida!




Luz e Paz!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"Indagações"


Não há ser humano que não se indague sobre a própria vida, sobre os outros, sobre o mundo... E que bom que o faz! Como diria um dos maiores poetas brasileiros, Mário Quintana : "A resposta certa não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas..."

E você? Tem feito a si mesmo as perguntas certas?

Luz e Paz!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

"Memória e Olfato"




Sabe aquele aroma que lembra a infância? Ou aquele que nos remete ao primeiro encontro com nosso grande amor? Pois bem... quando nosso olfato é ativado pelo odor semelhante ao sentido anteriormente, automaticamente fazemos uma viagem ao passado. Mas por que isso acontece?



O olfato é o sentido humano mais relacionado à memória. E isso não é mágica. Completamente ligado ao sistema límbico (incluindo sobretudo o hipocampo e a amígdala cerebral) responsáveis respectivamente pela aprendizagem associativa e emoção, o olfato, quando ativado pela percepção de um estímulo externo, automaticamente associa o aroma a uma experiência passada. Como num processo de condicionamento, toda vez que você sentir, por exemplo, o cheirinho de bolo saindo do forno se lembrará das tardes de infância na casa da vovó. O olfato ativa quase que instantaneamente as lembranças, fazendo com que num simples respirar passemos muitas e muitas vezes por uma experiência que já aconteceu.



Muitas pessoas mantém uma relação íntima com os aromas e quase sempre muito positivas. Há quem não troque de perfume nunca. Há quem estabeleça uma relação completamente sensitiva com algum prato preferido, sobretudo pelo "cheirinho" que ele exala ao ser preparado.



Sabemos que a atração pela outra pessoa também acontece pelo cheiro. De forma menos direta e explícita, as pessoas se apaixonam pelo aroma que o outro exala.



Mas não só de perfumes é feito o olfato. Odores desagradáveis também são associados a eventos desagradáveis. E o que as pesquisas mostram é que, muito mais do que acontece com os bons aromas, um número maior de pessoas associa o cheiro ruim ao mesmo tipo de experiência negativa. A singularidade olfativa, deste modo, está muito mais associada às boas experiências do que às más.


A experiência dos aromas é vivenciada muito mais empiricamente e menos racionalmente. Entretanto, muitas pessoas passaram a utilizar o conhecimento da ligação entre olfato e memória para a otimização da função. Através de condicionamentos através de aromas, a memória pode ser exercitada de maneira surpreendente. Assim, unindo-se o agradável ao útil, as pessoas passam a explorar as funções cerebrais a fim de obter melhores resultados em provas e trabalhos que exigem maior esforço cognitivo e memorização.



A ampliação dos estudos em aromaterapia também agrega pontos favoráveis à saúde. Aromas são cada vez mais utilizados para baixar níveis de ansiedade, estimular o indivíduo à ação num quadro depressivo, controlar ataques de pânico, etc. Tudo isso por estar, como já vimos, o olfato intimamente ligado à região cerebral que controla as emoções.



Assim, munidos deste conhecimento, podemos potencializar nossa relação com os aromas positivos, fazendo com que nossa qualidade de vida seja cada vez maior.



Luz e Paz! E perfume!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"Prejuízo Escolar"


















Nesta época do ano começam a pipocar os problemas dos pais com o desempenho escolar dos filhos. Boletins com notas vermelhas aparecem e a notícia de que a recuperação é uma necessidade ou que o ano está perdido é dada pelos professores.


Até meados dos anos 90, o prejuízo escolar sempre foi mais associado à questão comportamental. Os "maus alunos" - como eram chamados - eram aqueles que tumultuavam as aulas, que não estudavam em casa, que tinham uma conduta pouco produtiva no ambiente escolar. Atualmente, graças ao avanço das neurociências e da psicologia e pedagogia, a visão sobre o desempenho escolar foi ampliada e ganhou novas diretrizes.


Todos já ouviram certamente os termos hiperatividade, défict de atenção, impulsividade. Estes foram os diagnósticos mais dados nos últimos tempos. De fato, a compreensão de que os transtornos psicopatológicos influenciam de forma evidente o desempenho escolar agregaram compreensão e resultados positivos na tentativa de recuperar e dar suporte terapêutico aos alunos. Entretanto, o mau uso de tais conceitos também gerou uma massificação. Muitas vezes, antes mesmo de observar o aluno ou de avaliá-lo de forma mais pormenorizada, muitos profissionais do meio escolar o classificam através de patologias que, na verdade, não definem seu problema.


Um exemplo - que seria cômico se não fosse trágico, por se tratar de uma vida - é o do garoto que em seu primeiro dia de aula - depois de mudar de muitas escolas por não adaptar-se - apresentou-se da seguinte forma aos colegas e à professora: "Olá, eu sou o hiperativo", sem ao menos dizer seu nome. Exemplos como este acontecem de forma crescente no Brasil. Ao rotular-se desta forma uma criança ou um adolescente, se está contribuindo com a exclusão e não com uma solução para o problema.


O diagnóstico parte, muitas vezes, do próprio professor em sala de aula. Devo ressaltar que isto é um equívoco. Os únicos profissionais aptos a diagnosticar transtornos desta ordem são neurologistas e psicólogos. Não há exceção. Tais profissionais irão utilizar diversos procedimentos para que o dignóstico seja fidedigno e que procedimentos possam ser administrados para a remissão ou controle dos sintomas.


Muitas vezes, as questões relacionadas ao mau desempenho escolar estão sim relacionadas a algum fator neuropsicológico. Entretanto, outras vezes, a questão comportamental também pode apresentar-se isoladamente como fator desencadeador.


Quando um aluno passa a ter prejuízo escolar não são as notas somente que passam a decair. Sua auto-estima é abalada, seu desempenho em outras áreas pode ser prejudicado, seus relacionamentos dentro e fora do colégio passam a sentir os reflexos do problema. Desta forma, pais atentos aos seus filhos não precisam de um boletim para identificar o problema. Basta observar como a criança ou o adolescente vem se comportando em sua vida, de forma geral.


Mais do que broncas, castigos ou privações o indivíduo com problemas escolares precisa de suporte. Não só médico e terapêutico, mas principalmente familiar. Ele precisa identificar apoio para que supere a dificuldade. Isso é muito importante. E quando falo de apoio, não quero dizer que a responsabilidade da criança/adolescente seja transferida para os pais. Pelo contrário. Mas sim que aconteça um fortalecimento emocional.


A partir do momento em que os adultos passam a compreender que aquele problema é um problema do filho e que não devem lançar mão de castigos ou de estratégias como mudança para uma "escola fraca" a fim de evitar a reprovação, passam a dar apoio emocional, no sentido de que estão ali para amparar, mas sem interferir na parcela de responsabilidade daquele indivíduo. E quando o problema vai além do comportamento, compreender que as dificuldades serão superadas gradativamente com medicação e psicoterapia - e que ambas intervenções são essenciais- ajudará na aceitação e continuidade de esforços pela criança/adolescente. Não há nenhum problema que não possa ser solucinado. Mas para isso é importante que todos os envolvidos trabalhem pelo mesmo objetivo.


Enfrentar e superar uma dificuldade escolar, muitas vezes, faz com que o indivíduo amadureça e passe a desenvolver autonomia, características essenciais para que se torne um adulto mais feliz e emocionalmente forte. Por isso, se o seu filho está passando por problemas escolares, procure ajuda e não faça tempestade em copo d'água. Ajude-o a enfrentar esta batalha!




Luz e Paz!

domingo, 7 de dezembro de 2008

"Desiderata"




Uma mensagem de otimismo e sabedoria!






"Siga tranqüilamente, entre a inquietude e a pressa, lembrando-se que há sempre paz no silêncio. Tanto quanto possível, sem humilhar-se viva em harmonia com todos os que o cercam. Fale a sua verdade mansa e claramente, e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, eles também tem sua própria história. Evite as pessoas agressivas e transtornadas, elas afligem o nosso espírito. Se você se comparar com os outros, você se tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior a você. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui; e mesmo que você não possa perceber, a Terra e o Universo vão cumprindo o seu destino. Viva intensamente o que já pode realizar, mantenha-se interessado em seu trabalho, ainda que humilde, ele é o que de real existe ao longo de todo o tempo. Seja cauteloso nos negócios, porque o mundo está cheio de astúcia, mas não caia na descrença, a virtude existirá sempre. Muita gente luta por altos ideais, em toda parte a vida está cheia de heroísmo. Seja você mesmo, principalmente não simule afeição nem seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e desencanto ele é tão perene quanto a relva. Aceite com carinho o conselho dos mais velhos, mas também seja compreensivo aos impulsos inovadores da juventude, alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado; mas não se desespere com perigos imaginários, muitos temores nascem do cansaço e da solidão. E a despeito de uma disciplina rigorosa seja gentil consigo mesmo. Você é filho do universo, irmão das estrelas e árvores, você merece estar aqui; e mesmo que você não possa perceber a terra e o universo, vão cumprindo o seu destino. Portanto esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba e quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações, da fatigante jornada pela vida, mantenha-se em paz com sua própria alma. Acima da falsidade, do desencanto e agruras, o mundo ainda é bonito. Seja prudente. Faça tudo para ser feliz!"




Luz e Paz!

sábado, 6 de dezembro de 2008

"Solidariedade: passe-a adiante!"

Fiquem com este lindo vídeo sobre solidariedade:

http://www.youtube.com/watch?v=n7freKm5bNs

Acessem pelo link. Vale a pena!



Luz e Paz! E solidariedade!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

"Costumes"


Costumes são pensamentos ou atos passados de geração para geração. Em algumas famílias, os costumes passam até a ser rituais. Eles vão além da simples perpetuação geracional e carregam em si simbolismos reveladores sobre aquele determinado grupo.

Exercitar um costume ou tê-lo incorporado em seu dia a dia é, muitas vezes, um grande tesouro para as pessoas. É poder ter de volta todo um clima de felicidade vivenciando no passado e que se estende até o presente. O costume levado por este lado é benéfico e motivador. Entretanto, há quem entenda o costume como algo pesado e inútil.

Muitas pessoas chegam ao consultório por não conseguirem se libertar de costumes ou visões familiares. Passam por sofrimento psíquico quando, por exemplo, sentem-se obrigadas a passar datas festivas com a família ou quando são convocadas para um almoço de domingo, sem prévio aviso. O que vemos nestes casos é um sentimento de invasão tão grande que passa a significar um aprisionamento ao invés de uma oportunidade de se estar com quem se ama. Mas por que isso acontece?

Como todo ser humano, passamos pelas fases de desenvolvimento comuns para nos tornarmos adultos. Valores, costumes e rituais nos são passados desde muito novos. Na maioria das vezes, crescemos acreditanto nas coisas exatamente como nossos pais. Entretanto, num determinado momento da vida, no desenvolver de nosso pensar-crítico, temos a oportunidade de refutar ou aceitar tais ensinamentos. É quando nos tornamos indivíduos autênticos, com nossas idéias formadas. Algumas famílias aceitam esta mudança, outras não. Algumas pessoas conseguem mostrar-se indivíduos autônomos, outras não. E é neste momento, no choque de gerações, que o conflito é iniciado.

Existe uma história que eu gosto muito e que fala exatamente sobre a influência dos costumes familiares em nossas vidas. Conta que uma senhora de meia idade preparava um apresuntado para um jantar em família, cortando-o nas duas extremidades para colocá-lo na assadeira e depois no forno. Cortar o apresuntado era difícil e extremamente demorado e por isso, ela nunca gostava de cozinhar aquele prato e o fazia simplesmente porque pelo menos uma vez ao mês sua mãe a vinha visitar e este era seu prato preferido. Vendo aquilo, sem entender muito sobre cozinha, sua filha, que a ajudava, pergunta se ela o cortava para que o sabor ficasse mais apurado. Num momento de reflexão, a senhora lhe diz que não sabia exatamente o porquê o fazia, mas que somente repetia o que sua mãe lhe ensinara há tempos atrás. Não satisfeita, a filha foi perguntar à avó o motivo. Depois de uma longa gargalhada, a avó lhe respondeu que cortava as pontas do apresuntado porque ele não cabia na assadeira. Ou seja: durante anos e anos, a senhora repetia - sem ao menos saber o motivo- algo desnecessário, pois sua assadeira era suficientemente grande para abrigar o apresuntado sem a necessidade de cortá-lo.

Muitas vezes os costumes são assim para algumas pessoas: uma repetição inconsciente e desnecessária de um ritual que não faz mais sentido. Quando isso acontece e passa a perturbar seu equilíbrio interno é importante que ela se dê conta de que é necessária uma re-avaliação das coisas. Entregar-se a uma prática tradicional para agradar aos outros não é a melhor maneira de estabelecer um vínculo verdadeiro e positivo com a família. Se existe sacrifício próprio, nada disso faz sentido.

Sempre é tempo de mudar e de criar novos costumes dentro do círculo familiar e de amizade. Talvez, dando o primeiro passo, você esteja ajudando muitas pessoas que se sentem da mesma forma, oprimidas por algo que não lhes significa nada.

Re-avalie as tradições em sua vida, descarte as desnecessárias e mantenha as que verdadeiramente tocam seu coração!


Luz e Paz!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"Poesia em frase"

"Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura." Alberto Caeiro

Ler é poder estar mais próximo das idéias do outro e de si mesmo. A poesia faz isso com a gente: transforma, repagina, enobrece. Não deixe de dedicar alguns minutos do dia à leitura. Será, certamente, uma experiência muito especial!

Luz e Paz!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"As cinco pessoas que você encontra no céu"



Esta é a indicação de um filme que fala sobre várias histórias interligadas. Vale a pena assistir e meditar um pouco sobre como conduzimos nossas vidas e o que vale ou não a pena ser levado adiante.



SINOPSE

Eddie (o ganhador do Oscar John Voight) era um jovem que cresceu em meio a guerras, trabalho árduo e uma educação rígida. No dia em que completa 83 anos, ele sofre um acidente no parque de diversões onde trabalhou a vida inteira. Quando ele dá por si, tudo o que ele sente é que passou uma vida sem propósito, sem rumo... E o que se sucede é uma revisitação de sua vida por 5 pessoas, umas que ele conhece, outras que ele não tinha a menor idéia de quem eram, mas cujas vidas estavam de alguma forma ligadas à dele. Cada uma dessas pessoas revê com Eddie uma passagem de sua vida, resolvendo antigos mistérios, dissolvenso antigas mágoas, revivendo antigos amores.A cada experiência fica mais claro a grande importância de Eddie na vida de milhares de pessoas sem que ele se desse conta, provando que cada vida está ligada a outra de formas que muitas vezes não entendemos.



INFORMAÇÕES TÉCNICAS



  • Título no Brasil: As Cinco Pessoas Que Você Encontra no Céu


  • Título Original: The Five People You Meet in Heaven


  • País de Origem: EUA


  • Gênero: Drama


  • Tempo de Duração: 160 minutos


  • Ano de Lançamento: 2004



Aproveitem!


Luz e Paz! E pipoca! ; )

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

"Vida: querida estalagem"


Fiquem com este magnífico trecho do "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa:


"O coração, se pudesse pensar, pararia. Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."



Não passar pela vida de forma medíocre, não deixar que ela passe por você. Como tem feito isso? Não esqueça jamais de viver. Simplesmente, mas plenamente.

Luz e Paz!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"Preconceito"



Hoje, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, nada melhor do que falar sobre preconceito.

Preconceito é algo inerente ao ser humano. Até a mais humilde e bondosa das almas não pode se eximir desta culpa: possuir preconceito. Entretanto, o exercício de torná-lo cada vez menor deve ser obrigação diária.

Preconceito é diferente de discriminação. Discriminar é exercer o preconceito da maneira mais absoluta: é separar, afastar o outro de si. Assim, segundo nossa legislação, somente é crime o preconceiro na ação, ou seja, manifestado através da discriminação. Ainda bem, pois senão seríamos todos presos.

Assumir os proconceitos que se tem já é bastante importante para controlá-los. Há quem discrimine sem saber que o faz.

Há tempos, nosso Brasil - terra abençoada por Deus e bonita por natureza - exerce de forma massacrante a discriminação. País que já foi escravagista monárquico, carrega até hoje o ranso da segregação. Mas, será que preconceito é algo simplesmente cultural?

Possivelmente não. O preconceito surge de um conflito psíquico. É quando tememos tanto que nossa parcela frágil e diferente apareça que tratamos logo de apontar o que consideramos frágil e diferente no outro. E se encontramos um grupo disposto a unir forças conosco contra um grupo menor, está feito. A discriminação cresce e a falsa aura de proteção contra nossas próprias mazelas está criada.

É interessante como a força do grupo trabalha. O que vemos hoje é que, cada vez mais, os grupos minoritários se unem para exercer o mesmo preconceito e discriminação com o grupo que um dia foi majoritário. Vivemos em guetos urbanizados, em culturas engessadas que separam o que é negro do que é branco, o que é são do que é doente, o que é padronizado como belo do que é feio, o que é velho do que é novo, o que é hetero do que é homo.

Cotas em universidades para negros, vagas para deficientes em concursos, locais para estacionar para idosos: não somos mais humanos. Somos categorias humanas.

Não são todos que têm a oportunidade de conhecer um manicômio. Ali, estão escondidas as mazelas que o mundo finge que não vê: seres humanos que vivem em condições insalubres. Assim como foram escondidas as favelas cariocas nos Jogos Panamericanos. Assim como escondem os milhares de abortos praticados anualmente no país. Assim como escondem as crianças de rua que praticam delitos em utópicas instituições de recuperação. Estão todos tão escondidos! Vítimas de discriminação em massa. E com o comportamento de discriminar e não perceber que se discrimina, a sociedade vai se moldando como pode. E se molda mal.

O que há de mais importante em toda esta reflexão é a idéia de que somos imperfeitos. E quando acontece esta aceitação, o defeito ou característica do outro é o que menos importa. Ele não tem que ser perfeito ou imperfeito para mim. O outro é único, como eu sou único. O preconceito começa a ser atenuado. A discriminação passa a não existir. Acontece a agregação ao invés da desagregação. É a união de forças e não a separação por diferenças.

O que se deve ressaltar são as possibilidades. Se criarmos nossas crianças verdadeiramente dentro desta premissa, o preconceito, então, um dia se extinguirá. Teremos pessoas felizes, multiplicadas por coeficientes ímpares e não mais subtraídas por suas características especiais.
Mas, enquanto isto não acontecer, vão continuar criando datas especiais para nos lembrar que pessoas morrem de Aids, que negros merecem ser homenageados por sua história de luta racial, que mulheres devem ser tratadas com carinho... Que pena. Isso deveria ser natural.


Luz e Paz! E muita consciência!