
Depois de mais de dez dias sem postar e em período de festas, estou de volta! Pensando em qual seria minha próxima publicação, muitos assuntos passaram pela minha mente. Muitos mesmo. Decidi falar sobre algo que só tem tradução na língua portuguesa e que é um sentimento que todos nós, desde muito cedo, já experimentamos: saudade.
Afinal, o que é aquela coisa que aperta o coração, que nos deixa muitas vezes melancólicos e que só aumenta se não conseguimos diminuir a distância entre nós e nosso objeto? Quais conteúdos internos mobiliza? Por que sentimos isso?
Saudade é um termo utilizado quando queremos expressar que alguém ou alguma coisa nos faz falta. E partindo dessa visão, se sentimos falta de alguma coisa ou de alguém é porque não nos sentimos completos sem isso. Talvez por este motivo a saudade mobilize tanto e nos faça entrar em contato com sentimentos reprimidos, não superados e até mesmo não percebidos conscientemente. Podemos considerá-la como um termômetro que indica nossa relação com o outro.
Mas a saudade não é só direcionada para fora. Muitas pessoas sentem saudade de si mesmas ou de como eram em alguma fase de suas vidas. Saudade de uma época passada nada mais é do que saudade daquilo que se foi e que agora, por algum motivo, não se é mais.
Existem pessoas que vivem pela saudade. São muitas vezes pessoas apegadas demais ao tempo passado, que não conseguem viver no presente e que por isso fogem da realidade através das lembranças. Como num círculo vicioso mantém-se num passado distante ou recente e passam a lamentar por tudo o que perderam, sem se dar conta de que o presente se faz agora. Desenvolvem depressão e tendem a possuir visão pessimista generalizada.
A saudade também pode ser por alguém já falecido. E na maioria dos casos, este tipo de saudade é a que mais demora para cicatrizar. Com a certeza de que a pessoa não retornará, nestes casos, o principal alimento da saudade que é a esperança, simplesmente não existe. Há que se elaborar muito bem o luto e tentar diminuir os sentimentos negativos da saudade pelos positivos, através da rememoração de momentos bons e que trazem bem estar. Eliminar a culpa em relação a própria conduta de vida que se tinha com a pessoa que já partiu também é essencial.
A saudade por um grande amor talvez seja a mais vivenciada e percebida pelas pessoas. É exatamente a falta, a sensação de que a vida não está completa sem aquele ser. Se resguardada de sentimentos como ciúme, possessividade e controle, esta saudade pode ser positiva, pois possibilita que bons sentimentos estejam relacionados ao outro. E quando este outro volta, novas possibilidades de relação se estabelecem, desde que ambos estejam dispostos. Entretanto, se a volta não é possível, é preciso que a perda seja compreendida e que o amor por si mesmo seja a grande chave para a superação.
Como todo sentimento, a saudade deve ser encarada como um momento de entrarmos em contato com nosso interior. É o momento de avaliarmos nossa relação com o mundo, com tempos passados, com o outro e conosco. É através deste movimento que a saudade torna-se benéfica e passa a representar uma porta de entrada para o universo do auto-conhecimento. Por isso, quando a saudade bater, não deixe de abrir esta porta e fazer esta viagem!
Luz e Paz!
* Dedicada a todas as pessoas e coisas que já me fizeram falta e àquelas que ainda me fazem sentir saudade!