segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"A diferença entre Síndrome do Pânico e Estresse Pós-Traumático"


Resolvi falar mais especificamente sobre uma patologia no tema desta semana, pois existe algo que me preocupa: o grande número de pessoas que chegam até mim com o equivocado diagnóstico de Pânico.

Síndrome do Pânico é uma doença ligada ao espectro dos Transtornos de Ansiedade. O indivíduo acometido de Pânico sofre ataques espontâneos que ocorrem sem previsão e que ocasionam diversas respostas físicas à ansiedade desencadeada, tal como palpitações, dormências faciais, alteração no ritmo respiratório e sensação de morte iminente. Os ataques duram em média 30 minutos e são tão bruscos que quase sempre, numa primeira experiência de crise, a pessoa acaba num Pronto Socorro, procurando ajuda médica emergencial por acreditar que está sofrendo de um ataque cardíaco.

Depois do primeiro ataque, o Pânico pode passar a acontecer sempre, em períodos espaçados ou não. O paciente, então, tomado pelo medo, passa a sentir-se desamparado e extremamente vulnerável, iniciando o processo de auto-aprisionamento, evitando lugares tumultuados e chegando até a recusar-se sair de casa. É quase sempre neste momento que a ajuda do Psiquiatra e do Psicólogo acontece, pois a situação passa a ser insustentável, afetando a vida do indivíduo de forma geral e devastadora.

Nestes casos, a psicoterapia aliada necessariamente à medicação é fundamental. É no setting terapêutico que o auto-controle será desenvolvido. É no consultório do Psiquiatra que o ajuste da medicação acontecerá de forma a equilibrar quimicamente o organismo daquele indivíduo.

Outra doença do espectro dos Transtornos de Ansiedade é o que chamamos de Estresse Pós-Traumático. Menos popular, esta doença acomete em termos percentis, muito mais pessoas do que a popularizada Síndrome do Pânico.

O Estresse Pós-Traumático (EPT), tem características muito semelhantes ao Pânico em relação à sintomas e percepção dos ataques. Entretanto, um fator fundamental o diferencia: o gatilho para que se manifeste nunca é espontâneo. A pessoa que tem o primeiro ataque de EPT esteve exposta - no passado - diretamente a um acontecimento perceptivelmente estressor que ocasiounou um trauma severo. Pode ter sido uma situação-limite ou simplesmente um acontecimento que desencadeou ansiedade extrema na ocasião. Assim, após o momento de estresse principal (ou trauma) o indivíduo passa a rememorar o acontecido através de lembranças, sonhos e idéias fixas que o prendem à situação, desencadeando ataques de ansiedade recorrentes. O primeiro ataque pode acontecer logo após o trauma original ou ficar adormecido, manifestado-se depois de muitos anos. É comum que a pessoa desenvolva comportamentos de evitação constantes, incluindo evitação de situações que ofereçam estressores semelhantes aos vivenciados no trauma ou adequação à rotina que tinha antes.
Assim como o Pânico, o EPT deve ser tratado com medicação e psicoterapia. Neste caso, a terapia irá tratar de dessensibilizar o paciente em relação ao trauma, fortalecendo sua auto-confiança e fazendo com que aos poucos supere a doença.

O que acontece, entretanto, é que com a popularização do termo "Síndrome do Pânico", muitas pessoas acreditam sofrer da patologia, quando, no entanto, possuem EPT. O auto-diagnóstico é um grande limitador, pois muitas vezes a pessoa rotula-se, sem ao certo saber o que está acontecendo consigo. E o pior: relutam a procurar ajuda médica e psicológica, pois passam a sentir-se "fracas", "malucas", "doidas", quando estão na verdade doentes. Outro problema é também - e infelizmente - o diagnóstico do Psiquiatra que, muitas vezes, acaba sendo igualmente equivocado, não por incapacidade profissional, mas pelo paciente não saber fornecer informações completas sobre como as crises começaram. É necessário que aconteça um Diagnóstico Diferencial preciso para que erros não sejam cometidos.

Este esclarecimento me parece de grande importância, pois o quanto antes um indivíduo acometido de qualquer patologia - e sobretudo de Transtornos Ansiosos - procura ajuda médica e psicológica a menos sofrimento psíquico é exposto.

O medo de parecer "fora do normal" é quase sempre a característica mais limitadora para que as pessoas cuidem de sua saúde com responsabilidade e comprometimento pessoal. Não deixe de procurar ajuda sempre que sentir que algo não vai bem e cuide para que as pessoas ao redor façam o mesmo!


Luz e Paz!



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Ponderar"


O sujeito que pondera é aquele que consegue, na tempestade criada pelo turbilhão de sentimentos, "subir à superfície" e tomar um fôlego.

Ponderar é olhar com mais cuidado uma situação que se apresenta de forma inesperada ou confusa, é saber analisar com olhos de quem quer ver a melhor posição a ser tomada em determinado momento. É esperar antes de agir para agir melhor.

Ponderar não é assumir a postura de colocar tudo, sempre, numa balança. Nem tão pouco se tornar uma pessoa prevenida e completamente rígida. Ponderar é exercer de forma inteligente e assertiva o hábito da reflexão pessoal. E quem reflete é, sempre, flexível.

Ora, é muito fácil refletir de forma tranquila quando tudo vai bem. Entretanto, em situações de crise, refletir é quase uma ação impossível para muitas pessoas. E é neste momento que a reflexão faz mais sentido. É exatamente na crise que precisamos de respostas que levem em consideração um auto-conhecimento ampliado.

Quem passa a exercer o ato de ponderar passa a exercer a liberdade pessoal, pois observa mais, erra menos e se dá conta de que nada é fatidicamente permanente. Ponderar é entender que as coisas são mutáveis e que muitas das mudanças podem e devem partir de nós mesmos.

A partir do momento que nos damos conta de nossa parcela arbitrária e participativa sobre nossas vidas, entendemos que ponderar e refletir sobre algo ou sobre si mesmo é um dever pessoal e um ato de amor próprio.


Luz e Paz!