segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Disposição Interna"


Quando estamos passando por um momento de crise muito intenso ou quando avaliamos que é preciso realizar uma grande mudança em nossas vidas, existe um fator essencial para que os planos se tornem realidade: a disposição interna.

Muitas pessoas chegam ao consultório, diariamente, com diversos tipos de problemas. A ida ao psicólogo já é um grande passo e é preciso valorizar esta atitude ao extremo, pois sabemos o quanto é difícil, para a maioria de nós, admitir que precisa de ajuda. No entanto, é muito comum a idéia de que o terapeuta fornecerá todas as respostas e receitas para que a situação-crise seja solucionada. Devo informar: isto nunca acontece. Ou pelo menos, não deveria acontecer.

O papel do profissional de psicologia é o de auxiliar. Ouvimos, organizamos e ajudamos aquela pessoa a compreender os motivos pelos quais se encontra em determinada situação. Na realidade, o sucesso ou insucesso de um processo de psicoterapia depende disso: da forma como o terapeuta conduz as sessões. Se ele cede às exigências veladas do paciente e acaba atuando como um solucionador de problemas, certamente pouco ou nada contribuirá para o equilíbrio psíquico do outro. Se ele entende que é um facilitador e que a mudança necessariamente tem que partir do paciente, aí então, segue o melhor caminho, propiciando a autonomia e autenticidade naquela vida. Simples assim.

Neste processo positivo de psicoterapia, a disposição interna é muito valiosa. Sem ela, nada é possível: o processo torna-se imóvel, pois o principal e mais importante "motorista" recusa-se a vislumbrar o melhor caminho.

No início, é muito comum que aconteça uma grande resistência pelo paciente. Afinal, todos nós gostaríamos de entregar nossos problemas a outras pessoas para que elas pudessem resolvê-los! Entretanto, ao superar tal resistência, aquela pessoa tem a chance de experimentar uma sensação incrível: a própria força interior e a percepção de que é absolutamente capaz de decidir o que quer e o que não quer mais em sua vida. Nasce, neste momento, uma estima tão grande por si mesma que a ajudará a ser cada vez mais feliz e assertiva na resolução de possíveis crises futuras.

É importante dizer que todos nós temos disposição interna. Até mesmo indivíduos com quadros depressivos severos. Isto porque, organicamente, somos preparados para a sobreviência nas adversidades. Desta forma, ao recusar-se utilizá-la num processo de mudança, estamos fazendo uma escolha: a da imobilidade fatídica. Esta noção de livre-arbítrio nos dá uma responsabilidade gigantesca sobre nós mesmos, mas também nos coroa com o maior bem do ser-humano: a liberdade.

E você? Já sabe o que vai escolher?


Luz e Paz!



segunda-feira, 8 de junho de 2009

"A má fé"


Jean Paul Sartre (1905-1980), filósofo francês, chama de "ma fé" a ação que todo ser-humano exerce de negar sua própria liberdade. Má fé é, em poucas palavras, o uso da proteção psíquica da imobilidade diante de tantas possibildiades de movimento; é a negação do livre-arbítrio e a transferência do poder de escolha para terceiros. É fingir que não se enxerga a saída.
A má fé é sempre direcionada a si mesmo. É a auto-privação da mudança. É escolher não escolher por medo de dar errado. É aprisionar-se.
Agimos pela má fé quando insistimos em nos colocar em posições de vítimas do destino, do cônjuge, da família, do trabalho... Enxergamos no fim do túnel a liberdade que grita, mas fazemos vista grossa para que não tenhamos que nos arriscar.
A má fé é de natureza inconsciente, mas se fizermos uma busca em nossas ações passadas certamente encontraremos muitas situações em que nos acovardamos diante da mudança ou que preferimos deixar para o vizinho a decisão de nossas próprias vidas.
Ao negarmos nossa liberdade, passamos a nos submeter à situações limitadoras e que minam nossa auto-estima, segurança interna e poder de decisão. Nos tornamos mais frágeis e por isso mais dependentes. Culpamos muito mais os outros de forma leviana.
O mais importante, tendo em mãos esta informação, é que passemos a fazer um exercício diário contra esta ação limitadora, treinando nossa mente e nosso psiquismo para que cada vez menos obedeçam nosso instinto e tendência de agir desta forma negativa.
A identificação de que agimos pela má fé é trabalhosa e muitas vezes difícil de ser aceita, mas a partir do momento que deixamos de lado esta "muleta comportamental", passamos a compreender a vida como uma fonte inesgotável de possibilidades, que oferece inúmeros caminhos para a auto-realização e encontro da felicidade.
Pratique menos a má-fé e perceba a preciosidade de ter as rédeas da própria vida em suas mãos. Experimente o exercício da verdadeira liberdade!

Luz e Paz!