
Quando estamos passando por um momento de crise muito intenso ou quando avaliamos que é preciso realizar uma grande mudança em nossas vidas, existe um fator essencial para que os planos se tornem realidade: a disposição interna.
Muitas pessoas chegam ao consultório, diariamente, com diversos tipos de problemas. A ida ao psicólogo já é um grande passo e é preciso valorizar esta atitude ao extremo, pois sabemos o quanto é difícil, para a maioria de nós, admitir que precisa de ajuda. No entanto, é muito comum a idéia de que o terapeuta fornecerá todas as respostas e receitas para que a situação-crise seja solucionada. Devo informar: isto nunca acontece. Ou pelo menos, não deveria acontecer.
O papel do profissional de psicologia é o de auxiliar. Ouvimos, organizamos e ajudamos aquela pessoa a compreender os motivos pelos quais se encontra em determinada situação. Na realidade, o sucesso ou insucesso de um processo de psicoterapia depende disso: da forma como o terapeuta conduz as sessões. Se ele cede às exigências veladas do paciente e acaba atuando como um solucionador de problemas, certamente pouco ou nada contribuirá para o equilíbrio psíquico do outro. Se ele entende que é um facilitador e que a mudança necessariamente tem que partir do paciente, aí então, segue o melhor caminho, propiciando a autonomia e autenticidade naquela vida. Simples assim.
Neste processo positivo de psicoterapia, a disposição interna é muito valiosa. Sem ela, nada é possível: o processo torna-se imóvel, pois o principal e mais importante "motorista" recusa-se a vislumbrar o melhor caminho.
No início, é muito comum que aconteça uma grande resistência pelo paciente. Afinal, todos nós gostaríamos de entregar nossos problemas a outras pessoas para que elas pudessem resolvê-los! Entretanto, ao superar tal resistência, aquela pessoa tem a chance de experimentar uma sensação incrível: a própria força interior e a percepção de que é absolutamente capaz de decidir o que quer e o que não quer mais em sua vida. Nasce, neste momento, uma estima tão grande por si mesma que a ajudará a ser cada vez mais feliz e assertiva na resolução de possíveis crises futuras.
É importante dizer que todos nós temos disposição interna. Até mesmo indivíduos com quadros depressivos severos. Isto porque, organicamente, somos preparados para a sobreviência nas adversidades. Desta forma, ao recusar-se utilizá-la num processo de mudança, estamos fazendo uma escolha: a da imobilidade fatídica. Esta noção de livre-arbítrio nos dá uma responsabilidade gigantesca sobre nós mesmos, mas também nos coroa com o maior bem do ser-humano: a liberdade.
E você? Já sabe o que vai escolher?
Luz e Paz!