segunda-feira, 25 de maio de 2009

"Facilitando as coisas"


O ser humano ganha o título de "humano" pela capacidade de utilizar esquemas mentais através do pensamento de forma inteligente. É basicamente esta característica genética que nos diferencia dos demais colegas do reino animal.
Pensar é excelente. O exercício cognitivo nos dá a sensação de sermos mais fortes, espertos, de termos em nossas mãos a solução para qualquer problema que possa aparecer inesperadamente. Mas, será que de fato isto acontece?
Na realidade, a super valorização do pensar vem trazendo mais problemas ao homem moderno do que soluções. Os desdobramentos do pensamento acabaram criando defesas tão arraigadas ao psiquismo que ao invés de nos sentirmos felizes por pensar, muitas vezes, gostaríamos que nossa mente se aquietasse um pouco.
A evitação, o controle, a preocupação, a conjectura e o planejamento representam uma porcentagem muito grande de adoecimento psicológico na atualidade. O mal uso do pensamento faz com que os indivíduos utilizem a capacidade de raciocínio muito mais contra si mesmos do que a favor. É o que acontece nas patologias de ansiedade, depressão, pânico, somatização, fobia... O homem, então, se faz irracional.
Teoricamente, o pensamento é por si só livre. Entretanto, esta liberdade é cerceada pelo repertório individual de aprendizagens. Assim, o pensamento é pseudo-livre. Ele responde exatamente aos comandos que ordenamos e que são baseados em nossa história de vida: se ela for minimamente equilibrada nossa mente trabalha dentro destes moldes. Se ela for menos equilibrada, a mente também trabalhará nestes moldes menos equilibrados.
O pensamento, então, ganha o status de fragilidade e passa a trabalhar muito mais com crenças, apreensão singular (muitas vezes distorcida)da realidade e dedução do que com elementos positivos. E é neste momento que a mente adoece e que nossas vidas começam a sofrer modificações severas através de nossos comportamentos. É quando tendemos a complicar ao invés de facilitar as coisas.
O ideal seria que o pensamento estivesse cada vez mais livre e distante de nosso personalismo. Desta forma, estaríamos mais abertos à otimização do uso da capacidade geral do cérebro. Algumas pessoas chamam isso de intuição. E a intuição é, na prática, a capacidade momentânea de acessarmos regiões cerebrais disponíveis a serem descobertas, mas que geralmente não exploramos porque desenvolvemos uma forma segura e restrita de pensar.
O melhor começo para "despersonalizar" nosso pensamento sem que enlouqueçamos por isso é o exercício do desapego de crenças, afrouxamento do ego exacerbado, exercício da escuta e percepção de que há muito o que aprender no universo.
A partir da mudança de postura em relação a como alimentamos nossas idéias e formas de pensar é que entendemos que o tipo de qualidade de vida que temos está e sempre esteve em nossas mãos. Nos sentimos mais seguros, responsáveis e com a sensação de que finalmente estamos facilitando as coisas!
Que tal tentar? Abra sua mente!

Luz e Paz!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"É PRA PRESENTE" - HISTÓRIAS CURTAS

Este curta é muito especial. Sensível e simples, "É pra presente" de Camila Gonzatto é um convite a celebrar as coisas boas da vida: um amor, um livro, um café.




Aproveitem!

domingo, 10 de maio de 2009

"Timing"

Timing é um termo que designa o que em português podemos chamar de tempo interno. É a percepção quase matemática da hora certa. Hora certa para agir ou para parar. Hora certa de calar-se ou de falar. Hora certa de começar ou adiar.
Muitas pessoas acreditam que o timing é uma qualidade de poucos, entretanto, todos nós possuímos essa capacidade de percepção. O que acontece é que nem sempre nosso tempo interno está devidamente ajustado.
A afinação do timing acontece para alguns de forma intuitiva e natural e para outros de forma forçosa ou repetidamente exercitada. Qualquer que seja o caminho, é importante perceber que sem timing, a vida passa a ser mais difícil de ser levada.
O tempo interno pode nos auxiliar em diversos aspectos: desde o fechamento de um importante negócio no trabalho até a condução saudável de um relacionamento. Imagine como é importante perceber a hora certa de oferecer uma contra-proposta ou o momento exato de calar-se numa discussão no casamento: qualquer decisão tomada fora do tempo pode levar a complicações irremediáveis. Perceber o que se deve ou não fazer faz parte do exercício do timing.
Auto-conhecimento é a palavra-chave que nos direciona ao equilíbrio do tempo interior. Sem ele, fica impossível identificar nosso relógio interno que existe para nos dar pontualmente as diretrizes para a ação e não-ação. Escutar os sentimentos com "ouvidos" atentos, perceber o que acontece ao redor, não ser paralisado pelo medo, evitar o desgaste psíquico provocado pelo excesso de pensamentos insistentes e auto-sabotadores é um bom começo.
Compreender que a intuição é uma valiosa aliada e passar a utilizá-la associada com o pensar objetivo certamente irá ajudar na percepção do tempo interno, fazendo com que aos poucos se consiga errar menos e acertar mais.
Luz e Paz!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"A prática da busca pelo olhar genuíno"



Quando olhamos para o outro ou para as coisas olhamos com os olhos viciados de idéias pessoais, de conceitos estabelecidos e muitas vezes de verdades irredutíveis. O olhar passa a ser, então, uma atitude muito mais tendenciosa do que genuína. Passa a significar conjecturas de uma mente singular e não necessariamente um retrato da realidade.

Grande parte dos problemas das pessoas que chegam até mim é derivada desta apreensão equivocada da realidade. Relacionamentos que não dão certo, projetos que não vão para frente, metas interrompidas por deslizes na conduta pessoal.

Cada um dá para seus problemas e indagações a roupagem que consegue apreender e enxergar. E é exatamente neste "enxergar" que muitas vezes o excesso de pensamentos desconexos acaba cegando o que de fato está acontecendo. Mas como desenvolver um olhar genuíno?

Quase sempre acreditamos que o caráter genuíno tem a ver com uma única verdade. Não é exatamente assim. Genuinidade tem uma ligação muito maior com a pureza daquilo que se busca. E a pureza, muitas vezes, só é conseguida através da soma de muitas verdades e da ponderação desta multiplicação de idéias. A partir do momento em que se consegue avaliar todas as variáveis envolvidas numa determinada situação é possível obter um resultado muito mais fidedigno e, por isso, genuíno.

Utilizando o exemplo de uma relação entre duas pessoas, num casamento em crise, por exemplo, podemos pensar em quanto a visão genuína é falha e até mesmo inexistente. Quase sempre, os "lados" ficam muito bem delimitados e o outro é sempre a parte falha da relação: ele não me dá atenção, ela não entende que eu preciso trabalhar mais, ele não compreende que eu preciso de espaço, ela não me deixa ter um momento em silêncio, etc. A responsabilidade na ponderação e percepção da unidade desaparece, pois sentimentos e pensamentos auto-centrados e confusos ocupam o lugar do discernimento e da apreensão verdadeira da realidade.

A melhor forma de iniciar a prática da busca pelo olhar genuíno é despir-se de orgulho e vaidade intelectual. É perceber que a verdade existe, independente de "lados". É compreender que o próprio olhar muitas vezes dissimula e é tendencioso e que é necessário que façamos um mergulho profundo nas situações para que consigamos tirar nossas próprias lentes enganadoras dos olhos e então, de fato, avaliar com clareza o que é real.

Como em todo aprendizado, este exercício é diário e é preciso que estejamos atentos para que ele não se torne automático ao ponto de tornar-se banal e por isso sem sentido. A busca da genuinidade pode ser prazerosa a partir do momento em que nos damos conta de que os resultados são só positivos, no sentido de agregar muito mais conhecimento pessoal e conhecimento do outro, além de provocar uma consciência ampliada de nossa atuação no mundo.

Quando o filósofo Kant indagava se "o azul que eu vejo é o mesmo azul que você vê?" estava refletindo sobre a visão das coisas. E é este tipo indagação que deve nos acompanhar todos os dias, evidenciando que é preciso ponderar antes de se concluir qualquer coisa. A isto chamo prática da busca pelo olhar genuíno. Experimente também.


Luz e Paz!