
O ser humano ganha o título de "humano" pela capacidade de utilizar esquemas mentais através do pensamento de forma inteligente. É basicamente esta característica genética que nos diferencia dos demais colegas do reino animal.
Pensar é excelente. O exercício cognitivo nos dá a sensação de sermos mais fortes, espertos, de termos em nossas mãos a solução para qualquer problema que possa aparecer inesperadamente. Mas, será que de fato isto acontece?
Na realidade, a super valorização do pensar vem trazendo mais problemas ao homem moderno do que soluções. Os desdobramentos do pensamento acabaram criando defesas tão arraigadas ao psiquismo que ao invés de nos sentirmos felizes por pensar, muitas vezes, gostaríamos que nossa mente se aquietasse um pouco.
A evitação, o controle, a preocupação, a conjectura e o planejamento representam uma porcentagem muito grande de adoecimento psicológico na atualidade. O mal uso do pensamento faz com que os indivíduos utilizem a capacidade de raciocínio muito mais contra si mesmos do que a favor. É o que acontece nas patologias de ansiedade, depressão, pânico, somatização, fobia... O homem, então, se faz irracional.
Teoricamente, o pensamento é por si só livre. Entretanto, esta liberdade é cerceada pelo repertório individual de aprendizagens. Assim, o pensamento é pseudo-livre. Ele responde exatamente aos comandos que ordenamos e que são baseados em nossa história de vida: se ela for minimamente equilibrada nossa mente trabalha dentro destes moldes. Se ela for menos equilibrada, a mente também trabalhará nestes moldes menos equilibrados.
O pensamento, então, ganha o status de fragilidade e passa a trabalhar muito mais com crenças, apreensão singular (muitas vezes distorcida)da realidade e dedução do que com elementos positivos. E é neste momento que a mente adoece e que nossas vidas começam a sofrer modificações severas através de nossos comportamentos. É quando tendemos a complicar ao invés de facilitar as coisas.
O ideal seria que o pensamento estivesse cada vez mais livre e distante de nosso personalismo. Desta forma, estaríamos mais abertos à otimização do uso da capacidade geral do cérebro. Algumas pessoas chamam isso de intuição. E a intuição é, na prática, a capacidade momentânea de acessarmos regiões cerebrais disponíveis a serem descobertas, mas que geralmente não exploramos porque desenvolvemos uma forma segura e restrita de pensar.
O melhor começo para "despersonalizar" nosso pensamento sem que enlouqueçamos por isso é o exercício do desapego de crenças, afrouxamento do ego exacerbado, exercício da escuta e percepção de que há muito o que aprender no universo.
A partir da mudança de postura em relação a como alimentamos nossas idéias e formas de pensar é que entendemos que o tipo de qualidade de vida que temos está e sempre esteve em nossas mãos. Nos sentimos mais seguros, responsáveis e com a sensação de que finalmente estamos facilitando as coisas!
Que tal tentar? Abra sua mente!
Luz e Paz!