Todos nós, desde muito pequenos, aprendemos que a aprovação é algo que recompensa e estimula. Crescemos com o incentivo dos pais, quando crianças, a cada nota dez, a cada dever cumprido com perfeição, a cada ação “correta” realizada. Olhar para trás, para a maior parte das pessoas, implica em fazer um balanço geral de “acertos” e “erros” que são arbitrados por nossa parcela introjetada do que é o caminho do bem ou do mal.
O que está de acordo e o que não está tem intrínseca relação com tudo aquilo que o outro, o “fora”, o externo, nos dá como retorno. E esta aprovação ou desaprovação – que pode vir desde uma ampla rede social até uma pessoa específica, que seja uma referência pessoal – vai moldando e direcionando cada passo que damos em NOSSAS vidas. Vivemos, então, de acordo com referências exteriores a nós e as utilizamos como uma bússola de ouro.
E se, de repente, conquistássemos a alforria deste tipo de pensamento? E se, ao invés de pensarmos com o tipo de padrão externo pudéssemos olhar para nossa trajetória de vida sem a necessidade de agradar ou ganhar recompensas?
No início da tentativa de viver com referências menos externas e mais internas, um abismo se abre diante de nós: é a percepção de que o nascimento de uma nova vida está acontecendo. Oras, todo recém-nascido precisa aprender a viver neste mundo, gradativamente! E não é diferente quando, depois de adultos, renascemos para uma nova forma de pensar e agir! Passo a passo, o abismo vai sendo preenchido por tábuas sólidas e assentadas uma a uma, que irão formar uma grande ponte sobre tudo aquilo que, agora, nos parece vácuo e escuridão.
Deixar de se importar tanto com a aprovação é um exercício que dói. Ninguém está acostumado a ir na contramão do outro, a não ser que seja por rebeldia (e querer chamar a atenção de alguém é querer aprovação!). A aprovação lida com nosso ego mais arcaico, aquele que gosta de saber que é o centro das atenções e que consegue despertar no outro admiração. Lida também com a falsa sensação de pertencimento, que nos diz que ser aprovado é ser querido, que é fazer parte de um grupo. Muitas vezes, no entanto, a aprovação externa tem mais relação com controle do que com pertencimento. Quando o outro aprova e é juiz, sente um poder quase divino de dominar a vida de um ser que é igual a si, mas que se coloca num patamar inferior.
Com a busca de se desvencilhar da necessidade de aprovação, aos poucos, passa a existir uma sensação de libertação maravilhosa que acaba com a dor e que nos revela um tesouro: a descoberta de nosso “eu” que encerra em si tudo aquilo que realmente importa para nossa evolução pessoal.
Parar de trabalhar por recompensas alheias nos dá a sensação de tomar o rumo certo. A necessidade de aprovação pelo outro é substituída pela aprovação própria e este sentimento é um dos principais tijolos na construção de nossa autonomia e consequente fortalecimento de nossa autoestima!
É claro que “nenhum homem é uma ilha”. Não é sobre isso que estamos falando. O crescimento pessoal deve levar em consideração tudo aquilo que acontece no mundo e com os outros. Nós somos formados e também formamos os outros através das relações. No entanto, o exercício proposto aqui pede uma inversão na ordem das coisas: ao invés da ação que busca a aprovação (externo – interno) a auto aprovação proveniente do autoconhecimento que gera a ação (interno- externo).
A bússola de ouro, antes representada pelo outro e por tudo aquilo que é externo, passa a ser norteada por uma chama interna com magnetismo infinitamente superior - e por isso se torna muito mais aferida-: você!
Buscar a aprovação constante do outro impede que você escreva e protagonize sua história. Olhar para dentro e perceber o que é bom para si faz com que as páginas em branco sejam escritas a próprio punho e que a história possa ser vivenciada integralmente por você!
Luz e Paz!